Explicação sobre as Preces de Abertura

Todo trabalho mágico requer uma preparação. A invocação das Forças não se faz da mesma forma que chamamos a uma pessoa.  É preciso que utilizemos as palavras adequadas para invocar a Egrégora que se deseja. Quando invocamos uma determinada Força, temos que ter em nossa mente que é preciso lhe oferecer “assento”. Fazendo uma analogia, quando convidamos uma pessoa à nossa casa, é necessário e educado que lhe ofereçamos acomodações adequadas, a fim de não deixá-la mal acomodada, obrigando-a a partir antes da hora prevista e deixando-a impaciente pelas acomodações inadequadas.

Da mesma forma, quando iniciamos um trabalho mágico, é preciso que todas as Forças envolvidas na magia encontrem seu “assento”. Este assento será o responsável pelo sucesso de todo o trabalho.

Em Magia denominamos este assento de assentamento das Forças a serem invocadas. É, sem dúvida o momento mais importante  para o sucesso dos objetivos a serem alcançados.

Cabe esclarecer que todas estas preces têm  um caráter exotérico e não esotérico, ou seja, são preces feitas para a participação do público. Outras preces existem para trabalhos velados de magia.

A seguir a explicação das bases para o assentamento das Forças invocadas no processo mágico do Templo do Vale do Sol e da Lua.

1) Saudação à Umbanda e a todos os Orixás
Como o ritual dos trabalhos está baseado  na Umbanda, iniciam-se as preces pela saudação à Umbanda e a todos os seus Orixás com os mantras característicos, oriundos na língua dos povos Yorubás.

Os mantras são invocados em seu original em yorubá, a fim de preservar a força mântrica, pois a tradução para o português reduziria, e muito, a força invocatória.

Como ilustração, lembramos a grande perda da força no ritual católico quando é abolida a língua latina. Os mantras devem ser preservados na sua língua de origem, pois ali reside a grande força.

2) Introdutória
Uma pequena prece inicia fazendo menção ao motivo pelo qual estamos reunidos. É a abertura da “janela” do mundo astral. O  Assim Seja! substitui o Amém, originado no Egito Antigo, da palavra do Deus Amon, o Oculto.

3) Oração a São Francisco de Assis (ou Mestre Kut Humi, ocupando o cargo de Instrutor do Mundo na Hierarquia espiritual)
É o paraninfo do Templo do Vale do Sol e da Lua. É uma espécie de padrinho, que em qualquer momento está pronto a estender suas bênçãos sobre nossos trabalhos.

4) Saudações Aqui é o momento mais importante em toda a prece
É aqui que iremos invocar as Forças envolvidas na Magia. Inicia-se pela invocação de Melkezedeque, o responsável por toda a humanidade. Aquele que vela por todos nós. Melkezedeque é também conhecido por Sanati Kumara, o maior de todos os Kumaras, seres venuzianos,  dos quais Lúcifer, o portador da Luz, faz parte.

Em seguida, fazemos a invocação do Senhor do Mundo, grau imediatamente abaixo na hierarquia espiritual, ocupado, atualmente, pelo Grande Avatar Gautama que veio a tornar-se um Buddha.

A saudação ao Mestre Saint Germain, Chohan (palavra sânscrita que designa Mestre) do Sétimo Raio e dirigente da  Luz Violeta para o mundo é feita a seguir, uma vez que, nenhum trabalho de Magia deve ser realizado sem a invocação deste Mestre, considerado o Senhor da Magia, regente da Luz Violeta (o mesmo que Chama Violeta e o mesmo que a Força de Omulu) para nosso planeta. Como o Sétimo Raio, ou a Sétima Força é a regente da Magia, a invocação deste Mestre é necessária. O Raio Violeta, ou Omulu é o grande poder de transformação. Omulu é o Orixá da transformação, oriundo no néther egípcio Anúbis, o deus da transformação e do embalsamamento. Todo trabalho mágico, em última análise, requer a transformação de alguma coisa em outra. Quando invocamos o Mestre e não a Força somente, estamos aceitando nossa incapacidade de discernir entre o certo e o errado. Nossa visão parcial do mundo não nos permite fazer julgamentos. Somente um ser na condição de um Mestre pode realizar tal julgamento sobre o que pode e o que não pode ser feito.

O Raio Violeta, através de seu poder de transformação, é invocado a fim de que realize a maior de todas as transformações em um trabalho de Magia, qual seja, a transformação de nosso Ego pessoal em nosso Eu Superior.

Em outras palavras, a transmutação de nossa personalidade, com todos os nossos desejos e instintos, na mais pura ligação com as coisas divinas. É a própria exposição do coração do Mestre Jesus.

A seguir são feitas as invocações da Hierarquia Angelical e da Hierarquia Elemental. Lembrando que são três as Hierarquias que compõem nosso Sistema Solar: Hominal, Angelical e Elemental, ou em outras palavras, dos homens, dos anjos e dos elementais (da terra, da água, do ar e do fogo). Estas três Hierarquias são saudadas. A Hominal, na figura do Mestre Saint Germain. Correspondendo ao Raio da Magia, fazemos a invocação do Arcanjo Ezequiel, dirigente deste Raio, pela hierarquia Angelical e do Elohim Arcturos, dirigente deste raio pela hierarquia Elemental.

Quando utilizamos as palavras “eu vos amo e vos abençôo” significa que, naquele momento, o dirigente, através de seu Eu Superior, faz a saudação àqueles seres. Não é uma saudação feita de um ego comum para  uma divindade. É uma saudação feita do Deus que existe em mim para o Deus que está em vós. O restante da frase está bastante claro. O agradecimento, assim como os pedidos, são feitos sempre para mim e para toda a humanidade, pois assim, estaremos realizando a verdadeira Magia Branca, altruísta e não a Magia Negra egoísta.

Sempre as palavras Assim Seja tem o significado no Amém que tem sua origem no deus Amom egípcio, conhecido como Aquele que está oculto.

A seguir vem a saudação a toda a Hierarquia Elemental. Esta Hierarquia tem uma saudação especial nas preces, uma vez que é a Hierarquia responsável pelos meios necessários a todo o trabalho mágico. Eles colocam todo o “material” necessário à consecução da magia. Fazendo uma analogia, não importa que tenhamos uma excelente cozinheira e um excelente fogão. Sem a matéria prima, que são os alimentos, nada pode ser feito. Nesta invocação percebe-se, novamente, uma certa dose de autoritarismo. Em Magia a palavra deve ser forte  o suficiente para mostrar nossos propósitos sinceros de ajudar o próximo. Sempre é feito o pedido. Porém, caso percebam que nossos propósitos não condizem com os propósitos de elevação de toda a humanidade, com certeza, não virão em nosso amparo.

Quando é dito que Sua Força haverá de nos trazer o crescimento, auxílio e proteção, devemos, por outro lado, dizer o que pode ser feito caso não cumpramos nossa promessa. Como estes seres só trabalham para o crescimento da humanidade, devemos fazer um pacto de compromisso, para quando não cumprirmos com as promessas. Devemos oferecer nossa própria vida quando não cumprirmos o pacto. Daí as palavras “que desabe sobre mim”. Estas palavras são ditas somente pelo oficiante e não por todos.

São realizadas as invocações dos seres referentes aos quatro elementos: Gnomos, do elemento Terra, Djin, do elemento Fogo, Paralda, do elemento Ar e Nicksa, do elemento Água. Estes Reis ocupam um lugar especial nesta Hierarquia Elemental.

A partir daqui serão realizadas as invocações referentes ao dia e a época em que a magia está sendo realizada. O ano é dividido em quatro estações. São os quatro grandes momentos mágicos. Cada estação tem um nome mágico, oriundo da Kabalah, que vem a ser uma das duas grandes Escolas de Magia, sendo a outra a Oriental. Como estamos no Ocidente, utilizamos a magia kabalística, fonte de todas as artes mágicas. A Kabalah tem a sua origem no Egito Antigo, berço de Moisés, criado pelos sacerdotes egípcios.

O ano é dividido em vários períodos governados, cada um, por uma Potência Angelical. Iniciamos pela invocação do Arcanjo responsável pelo período e da época do ano. Cada época tem os Anjos responsáveis. A seguir é realizada a invocação  do Chefe do Signo. Este Senhor é o responsável pelo escudo representativo da estação do ano em que nos encontramos.

Agora virão as saudações pelo dia em que a magia se realiza. Inicia-se pela saudação a Ezequiel, da Hierarquia Angelical, Senhor de Saturno, uma vez que nossos trabalhos são realizados no sábado, dia consagrado a Saturno. Depois o Arcanjo regente da hora em que os trabalhos se iniciam, pois que cada hora é regida por uma Força e a cada Força um Arcanjo correspondente.

Depois a saudação a outras Forças, igualmente importantes nos trabalhos de Magia. Por último, porém não menos importante, os Gênios tutelares do dia, no caso o sábado.

5) Prece de Cáritas
A Prece de Cáritas é aqui inserida por dois motivos. O primeiro, é uma forma de abrandar um pouco todas as invocações realizadas. Ou melhor, é uma forma de “jogar” um pouco de água a tanto fogo invocado. Segundo, é, talvez, a mais conhecida de todas as orações não-católicas de nosso mundo tão influenciado pela Tradição Católica.

6) Prece Pessoal
Aqui fazemos a invocação de todas as falanges da Umbanda, ressaltando a importância do Povo Trabalhador (Falange de Exu)  que dá a sustentação necessária a todo o trabalho. É realizado um pequeno movimento com as mãos, mostrando a natureza telúrica desta grande Falange.

7) Prece ao Caboclo do Sol e da Lua
Aqui é feita, através de Sua prece, a invocação do Guia Mentor da Casa onde se realizam os trabalhos.

8 ) Prece dos Médiuns
Aqui é lembrado, através desta prece, a importante missão dos médiuns na Umbanda. Na maioria das vezes esquecem-se do caráter sacerdotal que tem um médium, julgando serem simples medianeiros entre os “deuses” e os homens.

9) Saudação Final
Finalmente, com a invocação do Arcanjo Miguel, de nome místico Michael e utilizando-se do Seu mantra, estamos colocando em Suas mãos o destino de nossa Magia. Michael é o nosso grande guardião kármico. É Ele que eleva nosso eu inferior em contato com as grandes Potências.

A seguir vem a saudação da Grande Hirarquia Espiritual do nosso Planetal que engloba todos os seres que, independente de credo, cor, religião ou qualquer outra qualidade distintiva da embotada mente humana, trabalha na elevação de nosso planeta e de nossas mentes ao encontro do Grande Criador.

10) Pontos de Abertura
Característicos da Umbanda e de seu ritual.

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