Dúvidas

Reunimos algumas dúvidas e aqui tentamos esclarece-las:

1) Qual a posição da Umbanda frente a virgindade e ao sexo antes do casamento?

A Umbanda, como algumas outras religiões, de prática explícita de magia, tem seus fundamentos na Magia Ancestral e na Filosofia Ocultista. Assim, a virgindade e, consequentemente, o sexo antes do casamento não constituem nenhum pecado. Aliás, a palavra pecado não consta do vocabulário ocultista, sendo inventada pelo catolicismo, ou melhor, pelo paulicismo extremamente preconceituoso de Paulo de Tarso. O pecado foi uma das maiores invenções do catolicismo, pois dava total direito ao sacerdote de retirá-lo. Assim, todo o poder estava concentrado nas mãos da Igreja, que determinava quem entraria ou não nos reinos do céu. O Ocultismo diz que qualquer ato teu será única e exclusivamente de tua responsabilidade. Ninguém tem o poder de anistiar quem quer que seja. Ninguém retira de ninguém o choque de retorno por todas as suas ações. Voltando ainda a questão da virgindade, o Ocultismo e, consequentemente a filosofia Umbandista nos dizem que a virgindade não tem o valor que a sociedade lhe atribui. A promiscuidade é que deve sempre ser evitada. A troca de parceiros também é bastante danosa tanto ao corpo físico, como ao corpo energético. Todas as religiões antigas, sem a influência do catolicismo-judaísmo, viam a perda da virgindade como um fato bastante natural. O tabu da virgindade começa a ganhar bastante força, a cerca de uns três séculos atrás, quando a promiscuidade entre os jovens crescia assustadoramente e, desta forma, a Igreja católica reascende o mito de Maria e sua virgindade, a fim de travar esta “libertinagem” dos jovens. Até então, Maria, mãe de Jesus, não era muito cultuada pelo próprio catolicismo. Da mesma forma tudo que foi dito para a virgindade se aplica ao sexo antes do casamento. Tudo não passa de uma questão de foro social e da moral vigente. Hoje em dia, nossa sociedade admite que o jovem homem possa ter suas relações antes do casamento, mas ainda encontramos bastante resistência, desta mesma sociedade, às jovens mulheres de fazê-lo. Ora, se os rapazes podem e as moças não, como então se dará o ato sexual? Provavelmente com as prostitutas de plantão. Prostitutas estas que a nossa mesma sociedade não aceita e tenta tirar-lhes todo e qualquer direito humano. Somente para finalizar, virgindade e sexo antes do casamento é tabu somente naquelas religiões de forte influência judaico-cristã. O que a Umbanda não aceita, assim como qualquer filosofia religiosa, de fundamentação não judaico-cristã, é a promiscuidade ou a troca constante de parceiros. Isto gera sérios problemas de ordem energética e física, com danos irreparáveis à saúde holística do ser humano.


2) Qual a posição da Umbanda frente a fidelidade/adultério?

Esta pergunta já foi de certa forma respondida na questão anterior. A Umbanda, assim como prega o Ocultismo, é contra somente à promiscuidade e à troca constante de parceiros. Se uma pessoa busca sua satisfação sexual fora do casamento, é sinal de que algo não está se ajustando entre os dois.

O mais correto seria uma conversa a dois para resolver-se o problema. Caso a conversa não seja possível, é sinal de grande desgaste na relação. E se o desgaste chegou a um ponto tal, é sinal que o amor acabou. Se o amor acabou, consequentemente, a união acabou. A Igreja Católica é a única que une duas pessoas até que a morte as separe.

A Umbanda, como a maioria das religiões, une duas pessoas “enquanto o amor perdurar”. Acabando o amor, a relação não mais sobreviverá e estará desfeita. Assim, a Umbanda não é contra diretamente ao adultério, mas o é na sua essência, pois é contra a uma relação que se sustenta sem o amor, pois que se há o amor, a relação se basta entre os dois.

Aqui retomamos à questão anterior, no tocante à troca de parceiros e à promiscuidade. Este sim, é o maior mal que um ser humano pode fazer a si mesmo. Destrói todo o seu corpo energético, com consequências danosas ao físico. Um ponto que não foi levantado, mas que também é importante de ser comentado, é a questão das diversas modalidades do ato sexual. Novamente, o que vamos encontrar no Ocultismo é a total liberdade de se usar o que tem, da forma que se quiser.

As únicas ressalvas são: qualquer ato de amor, e o ato sexual é um profundo ato de amor, só deve ser praticado quando ambos os parceiros estão em acordo com a prática; caso um dois parceiros não concorde, não deve-se forçá-lo. Isto sim, constitui uma falta gravíssima, pois se estará indo de encontro ao livre arbítrio de um ser humano. E o livre arbítrio é a coisa mais importante que existe. É a Lei mais séria a ser respeitada; evita-se a promiscuidade sob todas as suas formas; evita-se a troca de parceiros; deve-se procurar relacionamentos com pessoas do mesmo nível energético, de forma a não haver perdas, principalmente por parte da mulher, uma vez que é ela quem promove a recirculação energética durante o ato sexual.

 

3) Qual a posição da Umbanda frente aos métodos anticoncepcionais?

Não há o menor problema. Do ponto de vista técnico-ocultista  da concepção, a aproximação do campo energético da criança que estará por vir, se dá, normalmente, semanas após a união do espermatozóide com o óvulo. Como os métodos anticoncepcionais, normalmente, agem antes da ocorrência deste fato, não há o menor problema na sua utilização.

Lembramos que faz parte do livre arbítrio de todo ser humano decidir pelos destinos de seu corpo e de suas vidas, principalmente em questões tão sérias como o nascimento de um ser, que deverá ficar sob a sua responsabilidade.

 

4) Qual a diferença entre a Umbanda e o Candomblé?

Todas! Aliás a única semelhança é o fato da Umbanda adotar os mesmos nomes dados pelos negros Yorubás ao seu “objeto” de culto. O Orixá na Umbanda é uma qualidade divina. É uma Força Cósmica emanente do Criador, que nunca viveu, nunca teve uma forma física. É pura energia eletro-magnética. Não tem consciência como a tem um ser humano. É uma partição do poder Criador. Já no Candomblé, o Orixá tanto pode ser um ancestral e, desta forma, com qualidades humanas, como pode ser uma Força da Natureza.

Nesta segunda condição, se enquadra melhor à definição dada pela Umbanda. Não devemos interpretar que a Umbanda esteja certa e o Candomblé errado ou vice-versa. São coisas totalmente diferentes que possuem o mesmo nome! A Umbanda faz um grande culto ao processo mediúnico, enquanto que o Candomblé não. O verdadeiro Candomblé não aceita a incorporação, admitindo somente que se” dance” para o Orixá. Como o processo de incorporação só é possível através de seres que já tiveram uma forma física, todas as Entidades cultuadas pela Umbanda são tratadas, pelo Candomblé, como eguns, ou seja, pessoas que viveram e estão desencarnadas. O Candomblé não admite a incorporação de eguns. A Umbanda não aceita, de forma alguma, o sacrifício animal, pois que o sangue é um fluido de extrema força enquanto dentro de um corpo, passando a ser de uma força negativa poderosísima, logo após ser vertido deste mesmo corpo.

Já no Candomblé, seu Axé, ou seja, a força do culto, está justamente no sangue vertido pelo animal. A Umbanda faz uso, em seu processo mágico, de velas, fitas, pedras, metais, resinas, essências e todas as dádivas da natureza como mel, leite, bebidas diversas, frutas, legumes, cereais, verduras e vegetais diversos. O ponto central do culto umbandista está na invocação de Caboclos, Pretos-Velhos, Exus, Pomba-Giras, Crianças, Boiadeiros, Marinheiros, Mineiros, Ciganos e tantas outras falanges menos cultuadas, porém de não menos importância. Já no Candomblé, o culto é prestado às forças da Natureza.

Na Umbanda, a figura do sacerdote é secundária, sendo o culto prestado às Entidades. Já no Candomblé, o sacerdote canaliza em si toda a força do Templo, devendo todos tratá-lo com o máximo respeito, respeito este, superior, até mesmo, aos Orixás. O sacerdote no Candomblé é a própria encarnação do Orixá que dirige aquela comunidade. Na Umbanda, isto é impossível de ocorrer, dentro da sua lógica. O Camdomblé cuida do “santo”, enquanto que a Umbanda cultua o “santo”.

Pela filosofia do Candomblé, tudo é possível para manter o adepto em perfeita prosperidade, saúde e correspondência amorosa. Já pela filosofia Umbandista, o livre arbítrio, seja do adepto, seja de quem quer que seja, deverá sempre ser respeitado. E outras tantas existem, mas o apresentado já é suficiente para se perceber que são duas religiões completamente distintas, trazendo tão somente o nome, na lingua Yorubá, de uma parte da sua liturgia. Infelizmente, o que vemos, na maioria dos “terreiros”, são “umbandomblés” que misturam rituais Umbandistas com Candomblecistas, degenerando ambas as Religiões.

 

5) Existe a Umbanda Branca e a Umbanda Negra?

Não! Isto é um grande absurdo! Existe somente uma única Umbanda, que não é branca nem preta, é simplesmente Umbanda. O ser humano, com sua mente bipolar, voltada para o bem e o mal, não consegue conceber uma religião que cultue somente as Forças ditas do bem. Necessita inventar algo que se contraponha ao bem e, assim, da Umbanda “branca” surge a “umbanda negra”. Os “feiticeiros” que, não possuindo uma ética, dirigem certas forças para fins duvidosos e nem sempre condizentes com a boa prática religiosa e mágica. Para alguns autores, a “umbanda negra” vem a ser a Quimbanda. Isto é um outro absurdo! Quimbanda é uma religião que se assemelha, em muito, às práticas xamânicas, voltada principalmente para o trabalho de cura. Alguns feiticeiros, de posse destas práticas, dirigiam seus rituais com fins não éticos, degenerando todo o ritual e fazendo surgir uma nova prática, por eles denominada de “umbanda negra”.

 

6) O que significa o símbolo na roupa dos médiuns?

É o símbolo do Caboclo do Sol e da Lua, Entidade dirigente do Templo.

 

7) O que representam os dois dragões na entrada do Templo?

São os guardiães do Templo. São representados por seres de aparência maléfica, com a finalidade de afastar todos aqueles, encarnados ou desencarnados, que para o Templo queiram se dirigir, com intenção não condizente com o tipo de ritual que ali se pratica. No plano astral existem seres que, da mesma forma, por sua aparência repugnante, trabalham como cães de guarda dos Templos, não permitindo a entrada de seres que queiram tirar proveito, ou mesmo brincar, com as Forças ali invocadas.

 

8) O que representa a Cruz do Cruzeiro?

O Cruzeiro, consagrado aos Pretos-Velhos, representa a ascensão do ser humano aos planos mais sutis da manifestação. O Cruzeiro possui 7 degraus, que simbolizam a sutilização de cada um dos 7 corpos do homem, desde o físico até o nirvânico, ou estado de felicidade pura, ainda inacessível ao ser humano comum.

Uma vez galgado todos estes degraus, chega-se até a Cruz, símbolo da redenção da matéria, da libertação de todo o karma e dharma do Eu superior. Na magia, o Cruzeiro é o local de manifestação das almas desencarnadas, manifestação do plano astral mais próximo do plano físico, aonde os Pretos-Velhos realizam o seu “trabalho”.

 

9) O que representa a “casinha” com velas que não se pode ficar em frente?

Representa o local para onde todas as forças são dirigidas. É para ali que são destinadas todas as forças telúricas, ou seja, forças do nosso plano de manifestação, o plano físico. O “lixo” de toda a limpeza é ali depositado, pois temos que ter responsabilidade com o meio que nos cerca, não permitindo que estas energias fiquem “soltas” no espaço. Além do mais, qualquer trabalho de natureza mediúnica, requer um fortalecimento na ligação do médium com o planeta Terra, de vez que, a prática da mediunidade, elevando o nível de consciência do médium, facilita seu desligamento, mesmo que temporário, do plano físico. Assim, as velas são elemento de firmeza da energia do médium com o plano físico. É a tão falada “segurança” do médium. Daí pedir-se que não se mantenha na frente desta “casinha”, podendo receber as forças de descarrego dos trabalhos, o que seria prejudicial aos consulentes, além de bloquear as forças que de lá são emitidas.

 

10) Quais os nomes das principais entidades? Do que elas se ocupam? Como exemplo é citada Nanã que encaminha as pessoas que morreram.

Pelo exemplo citado percebe-se que não se está falando de Entidades e sim de Orixás, pois que a Força de Nanã não é uma Entidade e sim um Orixá. Uma Entidade já encarnou e já possuiu, um dia, um corpo físico. Um Orixá jamais encarnou. É Força Magnética pura, podendo ser manipulada por qualquer Bruxo.

Da mesma forma que podemos manipular a energia elétrica ao nosso bel prazer, desde que com conhecimento técnico, podemos também manipular a Força dos Orixás, desde que com conhecimento para tal. É importante o conhecimento, pois que o trabalho com certas Forças pode ser danoso para aquele que dele se encarrega. Por exemplo, citamos um soldado que irá manipular uma granada. Caso ele conheça perfeitamente o seu funcionamento e o alto risco daí decorrente, respeitará o artefato, ciente do grande poder que tem nas mãos. Caso seja um inconsequente, que não tenha conhecimentos técnicos e, portanto, não respeite o artefato que possui nas mãos, poderá levar a sérios acidentes, pondo em risco muitas vidas.

Mas, voltando aos Orixás, são Emanações de Deus, com sua energia própria, com uma determinada qualidade. Deus engloba em si todas as qualidades que conhecemos. Porém a mente humana, bastante embotada e pequena, não consegue entender Deus em toda a Sua Totalidade. Somente através da repartição, podemos entendê-Lo. Daí captarmos a Força dos Órixás, divididas como nos chegam, até a nossa mente.

Uma vez entendido isto, podemos então enumerar os Orixás com suas qualidades próprias, de modo resumido:

Oxalá Amor, Paz e Harmonia
Omulu Transformação de todos os processos
Yemanjá Fecundação. Plano emocional
Nanã Transcendência entre os diversos planos de manifestação
Ossayin Cultura e conhecimento
Oxoce Psiquismo
Ogum Criação. Início de qualquer processo
Oxum Poder da mente
Yansã Decisões corretas. Coragem
Xangô Justiça Divina

 

 

11) Por que há pessoas que travalham anos e não incorporam; outras que apenas incorporam algumas Entidades e outras que incorporam todas? Estaria relacionado a algum tipo de karma?

Tudo na vida está relacionado com o karma de cada um. Karma é a própria Lei de Ação e Reação. É a lei física que diz que “a toda ação corresponde uma reação contrária e em sentido oposto”. Qualquer ato do ser humano gera um karma. Qualquer movimento gera um karma. Logo, o tipo de mediunidade de cada um, é um problema do karma de cada um.

A mediunidade é um problema kármico. Somente alguns pouquíssimos seres humanos como Jesus, Sidarta Gautama, Krishina e outros, possuíram uma mediunidade missionária. Nós, seres humanos cheios de defeitos e problemas, possuímos uma mediunidade kármica.

A origem da mediunidade está na Atlântida, quando os seres humanos daquela época, mantinham ligações diretas com a Divindade, não necessitando de medianeiros. Pelo mal uso desta qualidade, fechou-se um certo centro energético do corpo, denominado de chákra frontal, abrindo-se, consequentemente, o plexo solar. Daí surge a nossa humanidade atual, com sérios problemas no trato com as suas emoções e perda da comunicação direta com a Divindade.

A comunicação com a Divindade, não podendo ser feita de modo direto como antes, passou a ser realizada de modo indireto, através de um medianeiro ou médium, que através de uma mudança de seu nível de consciência, consegue alcançar outros planos de manifestação. Assim, o tipo de mediunidade irá depender da necessidade kármica de cada um. Não há nenhum paralelo entre a incorporação e o avanço espiritual de cada ser humano. Cada um busca aquilo a que melhor se adapta, na busca de sua elevação espiritual. Sem sombras de dúvidas, o caminho da espiritualidade, através da prática mediúnica, é talvez o mais rápido, porém é  extremamente perigoso e cheio de armadilhas, levando ao desespero e à loucura aqueles que não estejam preparados para a sua prática.

 

12) O que acontece às pessoas que não trabalham e às que trabalham com suas Entidades?

De um modo muito geral: nada! Quando digo nada, quero dizer nada que não se possa conviver normalmente, desde que se tenha uma estrutura emocional bastante forte. A mediunidade, antes mesmo de ser um problema de ordem espiritual é, antes de tudo, um problema de ordem fisiológica. Da mesma forma que uma pessoa normal não poderá ficar muito tempo sem urinar ou mesmo defecar, podendo ter sérias complicações, levando-a, inclusive à morte, uma pessoa que não pratique a mediunidade terá problemas de ordem física.

O primeiro sintoma de uma mediunidade mal trabalhada surge com um nervosismo exagerado, irritação levando a distúrbios neuro-vegetativos. Dependendo da força mental desta pessoa, o processo poderá agravar-se ou não, podendo até mesmo manter-se sob controle. A necessidade da prática mediúnica vem de acertos realizados antes mesmo de sua presente encarnação. Para que possa fazer uso da mediunidade é preciso certos acertos em nosso corpo físico e astral. Caso não se dê vazão a este processo, poderá haver um acúmulo de energia sobre o corpo, principalmente o emocional. Concluindo, esta estória de que o “Santo” dá surras nas pessoas é pura invenção para por sobre “outros” ombros os problemas de vida das pessoas. Cada um é responsável pelos seus atos. O “Santo” está ao nosso lado para nos proteger e mostrar um caminho, nunca com a espada na mão pronta a descê-la ao menor deslize de nossa parte.

 

13) Por que a mesma Entidade incorpora pessoas diferentes?

Isto é um outro grande absurdo! A mesma Entidade não incorpora pessoas diferentes. Diferentes Entidades se apresentam com o mesmo nome. Isto é o que acontece. É o mesmo caso se você, por exemplo, viajasse para fora do país. Ninguém estaria interessado em saber se você se chama Maria, mora em Itaipuaçú, no município de Maricá, no Estado do Rio de Janeiro, no Brasil. As pessoas estariam interessadas somente em saber se você é brasileira ou não. Agora, como você existem mais 150.000.000 de brasileiros! E todos se identificam simplesmente como brasileiros! O mesmo acontece com as Entidades. É como se fossem grandes famílias ou Escolas formadas por um grande número de seres, que se identificam com certas práticas mágicas. Estes seres se agrupam por semelhança na maneira de trabalhar e de ver as coisas.

Quando uma Entidade se apresenta como o Caboclo Pena Branca, não quer dizer que ali esteja realmente o Caboclo Pena Branca, até porque nós, seres humanos vulgares, não teríamos condições energéticas de incorporá-Lo. Mas com certeza ali está um Ser que trabalha nesta “Grande Família ou Grande Escola” chefiada por Pena Branca. Junto à esta Família ou Escola poderemos ter centenas ou milhares de Seres que ali se atraem para realizar um trabalho de busca de elevação da humanidade como um  todo.

 

14) Havendo mais de 200.000 Centros de Umbanda no Brasil, é possível ter dois médiuns incorporando, ao mesmo tempo, por exemplo, a Maria Mulambo?

Em primeiro lugar, não acredito que existam mais de 200.000 Centros de Umbanda no Brasil. Mas, respondendo à sua pergunta, nenhum de nós, seres vulgares como somos, não teríamos condições de incorporar a Grande Força que é Maria Mulambo. Quando um médium se diz incorporado com Maria Mulambo, na verdade está incorporado por uma Entidade que trabalha na Luz de Maria Mulambo. Nesta “Família ou Escola” que chamamos de Maria Mulambo, existem mais centenas ou milhares de Seres ali trabalhando pela mesma causa. Esta pergunta já está respondida na pergunta anterior.

 

15) Há possibilidade de algum médium parar de trabalhar? Quais as consequências?

Sim. Qualquer médium poderá parar de trabalhar sem que isto possa lhe ocasionar algum dano. Já falamos sobre isto em uma pergunta anterior. Se o médium apresentar um psiquismo equilibrado, não terá sérias complicações. Caso contrário, poderá ter problemas de ordem psíquica, acarretando danos ao emocional.

 

16) Alguns dizem que o médium tem a consciência de tudo que se passa durante as consultas. Ouros dizem que não. E ainda há os que dizem que isso depende do grau de desenvolvimento de cada um. Em quem deve-se acreditar?

Nos primeiros. O médium tem total consciência do que se passa durante os trabalhos. A perda da consciência, que ocorre em alguns casos, é fruto de um desequilíbrio por parte do médium. Somente pessoas com descontrole emocional, podem apresentar incorporações inconscientes. O médium bem trabalhado e com equilíbrio emocional apresenta um processo mediúnico consciente. A incorporação inconsciente, normalmente, é gerada por obsessores, que destroem todos os canais energéticos do corpo por onde circula o prâna. Como estes canais, a que chamamos de nâddhis, não se regeneram, a prática de incorporação inconsciente destrói, aos poucos, o perfeito fluxo de energia no corpo do médium.

O que na verdade acontece e que o médium não entende muito bem é o fato de, na maioria das vezes, não lembrar-se de muitas coisas que foram ditas durante a consulta. Na verdade, este não é um processo de incorporação inconsciente, e sim uma entrega total do médium à Entidade. Explicando melhor, usarei de um artifício que elucide melhor o fato.

Imagine que você irá emprestar seu carro novo a alguém que você não sabe muito bem como dirige, ou seja, a alguém que você não tenha muita confiança. No início, você ficará muito tensa e atenta a todos os movimentos desta pessoa. Com o passar do tempo, você vai verificando que a pessoa dirige muito bem. Chega a um ponto tal que você, após adquirir tanta confiança naquele ser, é capaz de emprestar-lhe o carro e até dormir durante a viagem! O processo mediúnico é o mesmo. Com o passar do tempo, você vai adquirindo tanta confiança na Entidade que está dirigindo o seu corpo, que relaxando, é capaz de se entregar totalmente a Ela e, quando todo o processo de incorporação terminar, você não se lembrará de muita coisa que tenha dito ou feito. Mas o importante é que durante todo o trabalho, o médium tem inteira noção daquilo que está acontecendo. Mesmo que mais tarde não venha a se lembrar de algumas coisas, durante o processo tem inteira consciência de seus atos. Somente para enfatizar, isto não tem absolutamnte nada a ver com o grau de desenvolvimento de cada um.

 

17) Qual o motivo das Entidades se recusarem a me dizer o nome daquela que se utilizou do meu aparelho?

Em primeiro lugar, para as Entidades, o nome não é o mais importante. O importante é, sim, o trabalho que irão realizar e não um simples nome. Do que adianta um excelente maestro, se na orquestra os músicos não conhecem muito bem a teoria musical? Seria muito melhor um maestro não tão renomado, mas que tivesse uma orquestra em excelente condições de trabalho.

Em segundo lugar, o médium em um processo de desenvolvimento, poderá captar várias Entidades, pois que sua “antena” ainda não encontra-se bem “ajustada”. Assim, nenhuma Entidade irá dizer quem se apossou de seu corpo, de forma a não induzir o médium a canalizar somente aquela determinada Entidade. Em um processo de desenvolvimento várias Entidades se aproximam do médium ao mesmo tempo.

Em terceiro lugar, o fato de dizer quem está consigo, denota uma etapa já avançada no processo de desenvolvimento. Quando um médium dá o nome de quem o acompanha, é sinal de avançado estágio no processo. Logo, as coisas devem vir a seu tempo, não devendo serem antecipadas, sob pena de atrapalhar tudo.

 

18) Para a Umbanda, Jesus Cristo possui a mesma história de vida pregada pela Igreja Católica? Ele faz parte da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo)?

Visando fazer alguns acertos, Jesus é considerado O Cristo e não Jesus Cristo como se a palavra Cristo fosse um sobrenome. Christo é um título e não um nome, da mesma forma que Buddha é um título e não um sobrenome. Jesus incorpora a Força Chrística e Gautama incorpora a Força Búddhica. Ambas são a mesma coisa. Só diferem os nomes de acordo com a Tradição, seja ocidental ou oriental. Para a Umbanda Jesus é um Avatar, ou seja, aquele que já tendo ascensionado, volta ao planeta por um profundo amor à humanidade. Jesus é um Avatar em qualquer que seja a Religião.

A Igreja Católica se apodera de Jesus, como se Ele pertencesse a alguém ou a um grupo de pessoas. Jesus, como qualquer outro Avatar de nossa humanidade, pertence a toda a raça e não a um grupo de pessoas. Jesus representa o Filho da Santíssima Trindade. Em todas as religiões existem as três Forças primordiais ou Divinas que a Igreja Católica chama de Santíssima Trindade.

O problema é que o catolicismo, extremamente preconceituoso, pois é assentado nas idéias de Paulo de Tarso, não aceitando a presença da mulher em nada, não aceita sequer a presença do feminino na Santíssima Trindade. Em todas as religiões as Forças Primordiais são o Pai, a Mãe e o Filho. A Igreja Católica chama a Mãe de “o” Espírito Santo. Na verdade o Espírito Santo é uma Força Feminina, mas camuflada pela Igreja Católica, que a esconde no simbolismo de uma pombinha. A história de Jesus é contada pela Igreja Católica de forma a reforçar os seus dogmas. A verdade é bem outra. Mas não nos cabe aqui entrar em detalhes neste assunto.

O fato é que toda religião possui suas três Forças Básicas ou Primordiais que são, em última análise, o Pai, a Mãe e o Filho. Jesus representa o Filho. A Divindade que se fez carne. É como dizem os Princípios Herméticos: “aquilo que está em cima é como o que está em baixo”. No plano material, para que um ser nasça é preciso o pai e a mãe. No Plano Divino também é necessário a Força Feminina unindo-se à Força Masculina, gerando o Filho.

 

19) Já bebi água com mel numa Gira de Exu e guaraná com pirulito dissolvido (segundo o Pedrinho, era remédio). Qual o objetivo dessas duas práticas?

Cada Falange tem seus ímãs próprios. Ímãs são dádivas da natureza como as frutas, essências e flores, para citar somente algumas, que são utilizadas pelas Entidades em seu trabalho mágico. Neste caso específico do mel e do guaraná vemos o uso da glicose no trabalho de energização da pessoa. Além de energizar, pela presença da glicose que se transforma em energia no organismo, cada Entidade tem o seu processo alquímico próprio, ou seja transformam o mel na substância que seu organismo necessita, para encontrar o equilíbrio e, consequentemente, a saúde. O mesmo fato se dá com o guaraná. Tudo é um processo de alquimia. Tudo pode se transformar naquilo que se queira. Aí está a magia de tudo!

 

 

20) Qual o sentido das Guias (suas cores, a quantidade usada pelos médiuns. Por que não podem ser tocadas por outras pessoas)?

As Guias são assentamentos móveis usados pelos médiuns. Assentamentos são uma espécie de mandala para atrair uma determinada Força. O uso das Guias é oriundo das religiões tibetanas. Como sabemos, a Umbanda é uma grande colcha de retalhos feita com um pouquinho de cada religião.

O uso das Guias vem do Tibet, o nome dos Orixás do Candomblé, o “bater cabeça para o altar” do catolicismo e asim várias de suas práticas têm origem nas mais diversas religiões. A Guia atrai uma determinada Força, além de proteger o médium do ataque de seres indesejáveis na Gira, sendo suas cores determinadas pela Falange ou Orixá ao qual está consagrada.

A quantidade é determinada pela necessidade do médium, não havendo nenhuma correlação entre o número de Guias e desenvolvimento mediúnico, nem tampouco espiritual. Como é um objeto de uso particular, uma vez que cada Guia é específica para um médium, não podem ser tocadas por outras pessoas, pois que a energia de cada pessoa é diferente uma da outra.

Cada vez que se toca uma Guia, coloca-se um pouco da sua energia nela. Como uma Guia é feita para uma pessoa em particular, o fato de tocá-la por alguém, irá deixá-la maculada por aquela energia.

Além do mais, uma Guia é um objeto ritualístico que, ao ser colocado no corpo, cruza o chákra coronário, ou seja, o ponto de energia mais importante de todo o nosso corpo, localizado no alto de nossa cabeça, exatamente na posição da moleira de uma criança.

Caso uma pessoa tenha maculado a energia de nossa Guia, ao colocá-la novamente no corpo, é a energia desta pessoa que irá cruzar este ponto energético tão importante para nós. Com certeza, isto não será benéfico ao médium. Mesmo se a pessoa que tocou na Guia tiver uma “boa energia”, o fato é que por mais boa que seja, é diferente do dono da Guia. É só isto já é motivo para que ninguém as toque.

 

 

21) Além das Guias, há alguns objetos dados pelas Entidades à assistência que também não podem ser tocados por outra pessoa. Por que?

Pelo mesmo motivo que o descrito na pergunta anterior. Qualquer objeto “trabalhado” para uma dada pessoa tem, no seu sentido mais profundo, uma alquimia com a energia daquela pessoa. O fato de outra pessoa tocá-lo, irá “desmanchar” esta alquimia, pois que irá impregnar o objeto com a sua própria energia. O motivo é o mesmo.

 

 

22) Já ouvi muitas pessoas se dizerem ser filhos, por exemplo, de Yemanjá e Oxoce. O que fazer para se obter esse tipo de informação?

Ser “filho” de certos Orixás significa conhecer as duas Forças Cósmicas principais que atuam sobre aquele dado ser humano. Todos nós trazemos uma maior sintonia com duas Forças básicas do Cosmos. Uma masculina e outra feminina. Tecnicamente, chamamos de Vibração Original Masculina e Vibração Original Feminina, ou seja, na versão bem popular, um “pai” e uma “mãe” de cabeça.

Para se obter este tipo de informação, somente dentro de um Templo, através da utilização de um oráculo, por parte do “Pai-no-Santo”. Qualquer outro método de verificação é pura especulação!

 

23) O que é necessário para que um médium “deite”? Para que este se torne um Pai-de-Santo precisa deitar para todas as Entidades?

Para que um médium “deite” é necessário que esteja frequentando assiduamente o Templo, participando de todos os trabalhos que seja solicitado, sob a supervisão de um dirigente que acompanhará todo o seu desenvolvimento mediúnico. O dirigente irá, através de diversas observações, além, principalmente, da comunicação com as Entidades dirigentes, decidir sobre este ritual. Este ritual é uma das etapas no processo de desenvolvimento mediúnico de qualquer médium. Neste ritual fecha-se certos chákras do médium, que abriram-se durante o desenvolvimento, além de proporcionar ao médium uma melhor captação de seus Orixás de Coroa.      Existe ainda um outro ritual de imantação, também chamado de deitada para Exu, quando fecha-se o desenvolvimento do médium, além de facilitar a captação das Forças Telúricas.

Finalmente, a Coroação do médium, ritual de imantação para todos os Orixás e Falanges que vem, como o próprio nome diz, coroar o médium, deixando-lhe apto a qualquer trabalho mediúnico, além de deixá-lo preparado emocionalmente para tudo enfrentar em seu cotidiano. Esta imantação é renovada de quatro ou de três em três anos, visando o fortalecimento mediúnico, além de vivificar todos os centros energéticos do corpo físico e astral da pessoa envolvida.

Um Pai-no-Santo, pois que esta é a designação correta e não Pai-de-Santo, como diz a maioria, já nasce pronto. É claro que isto não significa dizer que um Pai-no-Santo não precisa passar por todos os rituais que foram acima descritos. Isto faz parte de sua Iniciação nos mistérios da vida. O maior de todos os médiuns de nosso tempo foi Jesus. Mesmo que não queiramos uma comparação tão distante, podemos nos remeter até Apolônio de Tiana, grande Mago na sua época.

Qualquer Pai-no-Santo, mesmo com toda a sua preparação pré-berço precisa passar por todos os rituais, conforme passaram certos Magos em Ordens Secretas. Jesus precisou de cerca de 30 anos para completar a sua preparação junto aos Essênios. Para se tornar um Pai-no-Santo é preciso já vir preparado, para tal tarefa, neste mundo.

Além disto é preciso ter muita humildade, reconhecendo que todos estamos juntos na embarcação da vida e ninguém está melhor do que ninguém. O conhecimento, que alguns teimam em usar como parâmetro, na verdade não mede nada. O parâmetro, se é que possa existir algum, é a sabedoria, e esta não se adquire em escolas, é antes de tudo, apreendida pela intuição e pela bagagem que cada um traz dentro de si. É preciso também muita perseverança, pois que sem ela nada se alcança em nome da Grande Causa que é o servir a todos sem distinção, sabendo o momento de poder se estender as mãos e, o mais difícil, o momento em que isto não pode ser feito, sem que se crie mágoas ou rancores.

É preciso também saber calar-se nos momentos adequados. Resumindo: Saber, Ousar, Querer e Calar-se. Eis a grande lição de um Pai-no-Santo verdadeiro ou de um Mago.

 

24) Quais são os motivos que levam uma Entidade a escolher aquele determinado médium para incorporar, ou melhor, para trabalhar com ele?

São motivos de afinidade energética. Estes seres que “trabalham” conosco, por alguma razão, já estiveram juntos conosco em outras vidas. Como alcançaram um desenvolvimento espiritual muito maior que o nosso, hoje vem até nós para tentarem resgatar a nossa espiritualidade perdida em algum lugar do passado. Tudo, é claro, respeitando o nosso livre-arbítrio, sem o qual não poderiam dispor de nosso corpo ou de nossa energia.

 

25) Povo-de-Rua trata de problemas materiais, como saúde, amor, trabalho. E os Caboclos?

Os Caboclos tratam de problemas da consciência, principalmente. Nos ajudam a crescer com nossa espiritualidade nos mostrando certos caminhos a seguir. É bom lembrarmos que todas as Entidades podem tratar de qualquer problema, desde que estejam preparadas para tal.

Da mesma forma que nenhum ser vivo sobre a Terra é capaz de resolver todos os problemas do saber humano, nenhuma Entidade também o é. As vezes temos o péssimo defeito de confundir uma Entidade com Deus. Somente Deus é infalível e a Sua infalibilidade vem da Sua onipotência, onipresença e oniciência. Uma Entidade não! É um ser muito mais desenvolvido do que qualquer ser humano encarnado, mas ainda muito distante da perfeição de Deus.

 

26) E o Preto-Velho?

O Preto-Velho vem nos ensinando a grande lição da humildade, sem a qual nenhum ser humano consegue se aproximar da Divindade. Os Pretos-Velhos, além de tratarem dos problemas de saúde, também manipulam muito bem toda a Força Mágica. Conhecem profundamente as artes mágicas, principalmente com respeito a alquimia do ser humano.

 

27) E a Criança?

A Criança trabalha com toda a nossa elevação espiritual. São os maiores Magos do Universo. Podem se utilizar de qualquer ser para atingir o seu intento, desde que se justifique no engrandecimento de toda a raça humana.

 

28) E o Oriental, trata de problemas de saúde somente?

Não. Trata de todos os problemas de que tratam as outras Falanges, pois são as mesmas Entidades com uma roupagem fluídica diferente. Invocamos nestes trabalhos a cura e a transformação de todos os nossos processos doentios, por serem a maior demanda de nossa raça.

 

29) Existe uma ordem no grau de desenvolvimento destas Entidades? Pode uma Pomba-Gira se desenvolver até se tornar uma Criança?

Não tem nada a ver. São tipos de trabalho e energia diferentes. Neste raciocínio, diríamos que entre o espectro de luz visível, existem cores que são melhores do que as outras, ou seja, o vermelho iria se “desenvolver” até se tornar um “violeta”. Isto não tem o menor sentido! Cada cor tem a sua função específica e uma não é, de modo algum, melhor do que a outra. Todas são úteis. Da mesma forma, uma Criança não é melhor do que uma Pomba-Gira. Cada Entidade tem o seu papel dentro do Plano traçado para evolução de nossa raça. Colocar uma Pomba-Gira com memos importância do que uma Criança, seria o mesmo que dizer que a matéria não importa ao processo de evolução da raça. Isto é um absurdo! Sabemos perfeitamente, por depoimentos  obtidos em todas as Ordens, que a matéria é a única via de ascensão do ser humano.

Sem a matéria ninguém evolui. Como dizer que o trabalho de uma Pomba-Gira, conhecida esotericamente como a Senhora do Templo da Carne, é menos importante do que o trabalho desenvolvido por uma Criança. Todas as Entidades são igualmente importantes no trabalho de ajuda ao ser humano que a elas recorrem. Cada uma com o seu campo de ação, porém, todas trabalhando dentro do Grande Plano desenvolvido pelos Senhores do Karma, para a raça humana atual.

 

30) Todos os espíritos se encaixam numa dessas cinco classificações?

Na verdade estas classificações são qualidades para se alcançar a Divindade. Exu e Pomba-Gira representam a qualidade da ousadia, do crescimento na matéria. Caboclos representam a qualidade da punjança e coragem sem as quais não se alcança nada. Pretos-Velhos representam a qualidade da humildade, sem a qual a presunção será uma grande cortina a velar todos os conhecimentos ocultos. As Crianças representam a qualidade da alegria, sem a qual ninguém poderá ir de encontro à sua Divindade. E todos representam o Amor, elemento básico na evolução da raça humana.

Elemento que vem sendo difundido por todos os Avatares de nossa Era e que até hoje ainda não aprendemos a desenvolvê-lo dentro de nós. Ainda conhecemos somente o Amor possessivo e não o verdadeiro Amor altruísta. Todos os espíritos que se adaptam ao ritual de Umbanda se “encaixam” em uma das inúmeras classificações que existem . Não são somente estas cinco. Existe mais um grande número de outras Falanges que aqui não foram citadas, como os Marinheiros, Ciganos, Boiadeiros, Mineiros e tantos outros.

Todas as Falanges estabelecidas pela Umbanda, visam classificar, com fins didáticos somente, os espíritos que nela atuam. Mas nem todos os espíritos ligados à aura do planeta Terra estão desenvolvendo o seu trabalho dentro do ritual de Umbanda.

Assim, mesmo que possamos a todos enquadrar em uma das diferentes classificações, de vez serem qualidades que cada um, em última análise  possui, nem todos estão “ligados” ao ritual umbandista.

 

31) Após ser Criança não há mais o que desenvolver? Qual seria o nome das Entidades mais desenvolvidas do que as Crianças e menos desenvolvidas do que o Povo-de-Rua? Não há a possibilidade de se trabalhar com elas?

Novamente aqui vê-se o preconceito de se achar que a Pomba-Gira é menos importante do que a Criança, pois que trata de problemas de ordem material. A matéria é a única via de ascensão do ser humano. Ela é tão sagrada quanto o espírito. Uma vez esclarecido que todas as Entidades são suficientemente desenvolvidas para nos ajudarem em nosso trabalho de elevação espiritual, vamos a explicação.

Saindo-se da aura do planeta, iremos encontrar toda uma enorme hierarquia. Libertando-se do karma do planeta Terra, o indivíduo ascensiona e pode se tornar um Mestre. Depois chega a ser um Iniciado e chega até um Adepto. Daí para diante passa por diversos postos até encontrar-se diretamente com a sua essência Divina, ou seja Deus. Ninguém “trabalha” com estas Entidades através de um processo de incorporação. É somente pela intuição, via de comunicação com o plano mental, através do qual se “alcança” estas Entidades. Além disto, a mente humana ainda não se desenvolveu o bastante para alcançar Planos Superiores. A matéria é o plano mais denso de toda a hierarquia. Abaixo de nosso plano, não há comunicação com a raça humana.

 

32) Como é determinado o número de vezes que vai haver uma determinada Gira por ano (este ano, por exemplo, irão ocorrer cinco Giras de Exu)?

O número de Giras por ano é dado pela pura e simples disponibilidade do calendário ritualístico. Não existe nenhum número pré-fixado. Podem ser 5 ou 6 ou quantas possíveis forem, desde que que sejam respeitadas certas datas, fases lunares e estações do ano. Os equinócios e solstícios são de extrema importância.

 

33) Como é determinada a sequência das Giras?

Procura-se, dentro do calendário litúrgico, fases lunares e mudanças de estação, dispor das Giras, de forma a que não hajam sessões consagradas à mesma Falange, seguidamente.

 

34) Como é determinado quais as Entidades que vão ser homenageadas (no ano passado foram as Crianças, neste ano serão os Pretos-Velhos)?

As Entidades não são homenageadas anualmente, por escolha de quem quer que seja. Todos os anos todas as Entidades têm seu dia de “homenagem”. Os Caboclos são homenageados no mesmo dia dos Orixás Oxoce e Ossãe, dia 20 de janeiro. Os Pretos-Velhos têm sua homenagem no dia 13 de maio.

Exu e Pomba-Gira em 13 de junho. Já as Crianças, comemora-se o seu dia em 27 de setembro. E a Falange do Oriente, junto com o Orixá Xangô do Oriente, em 28 de outubro.

 

35) Por que o senhor escolheu a Umbanda como Religião?

Porque, na busca da Verdade, cada vez mais verifico que o caminho para alcançá-La não está em uma Religião. Como já dizia Helena Petrovna Blavatsky: “Não há Religião acima da Verdade!” Como a Umbanda é uma grande colcha de retalhos, trazendo para si o que julga de melhor em todas as outras, é por isto que a “escolhi”. Ainda mais, ninguém escolhe esta ou àquela Religião. É a Religião que nos escolhe, de vez que, são os laços kármicos de cada um que o levará a esta ou aquela Religião. Infelizmente a Umbanda, apesar de toda a sua beleza mágica , filosófica e espiritual, ainda está longe do alcance da média da humanidade. Cada vez mais me convenço de que a raça humana não está preparada para abordá-La e muito menos para praticá-La. A Umbanda põe abaixo Templos, dogmas e tabus. Seu Templo de culto é a Natureza. Seu tabu é a busca da felicidade, respeitando-se o livre arbítrio de cada um. As Entidades, canais de comunicação com a Divindade, esperam, um dia, que o ser humano entenda que todos são um só, mas cada vez mais assistimos ao egoísmo e, consequentemente, a dor por todos os lados.

Não A aborde. Tema a Umbanda! Cuidado! Estas palavras devem ficar guardadas em ti, caso não tenhas o coração puro de uma Criança, a coragem de um Caboclo, a humildade de um Preto-Velho e a ousadia de um Exu. Entenda que a humanidade é uma só. Somos todos em um! O mal que fazem a teu semelhante é o mesmo que cairá sobre ti! Somos responsáveis por tudo que a todos acontece! A prática Umbandista leva ao Caminho da Divindade, mas pode levar, também, ao caminho da loucura!

36) Qual a posição da Umbanda frente a pena de morte?

Esta é, sem dúvida, uma questão bastante complexa para considerações. Em princípio, todo ser vivo tem direito a vida, pois que todos estão buscando a sua elevação. Quando se diz todo ser vivo, é toda e qualquer espécie de vida sobre o planeta, ou seja, minerais, vegetais, animais e o ser humano. Se fôssemos discutir a questão sob este prisma somente, concluiríamos que a pena de morte deve ser algo abominável, não condizente com as práticas religiosas, sejam elas de quaisquer matizes.

Porém, a questão é bem mais complexa do que o direito a vida. Não que o direito a vida não seja algo complexo, mas não nos permite muito o que discutir. É aquele tipo de raciocínio que não admite muitas elocubrações. Analisando um pouco mais profundamente a questão, nos deparamos com a seguinte dúvida: o Sistema Jurídico propõe-se a julgar o indivíduo e qualificá-lo como apto ou não apto ao convívio com a sociedade, podendo concluir por sua aptidão ou não. Da mesma forma, do ponto-de-vista da espiritualidade, este indivíduo poderá estar apto ou não a continuar em sua senda de progresso.

Tentando esclarecer um pouco mais. Quando um indivíduo é condenado a pena de morte, seu corpo astral, após a sua morte, vagará neste plano do mesmo nome e, de lá, poderá ser mais danoso à sociedade do que se estivesse entre nós, encarcerado, com apoio psicológico, numa tentativa de ajustá-lo. Com a morte, ficará “solto” no mundo astral, podendo influenciar outros tantos encarnados a cometerem atos de repúdio pela sociedade. Novamente aqui, concluímos que a pena de morte é algo desastroso para todos. Mas mais uma vez o raciocínio não é tão simples como parece ser. Existem casos, raros, em que o indivíduo, da mesma forma que no nosso plano, não tem condições de continuar na sua senda. Não desenvolveu atributos básicos para o seu “despertar”. Nestes casos e, somente nestes casos, o aniquilamento poderá ser feito, pois que, “do outro lado”, o mesmo lhe aguarda.

Este aniquilamento, do qual não entraremos em detalhes, por exigir conhecimentos teosóficos mais profundos, leva o indivíduo a um estado de “trancafiamento” de sua consciência, permanecendo neste estado até que tenha condições de, novamente, ir em busca de seu despertar. Agora temos o ponto mais delicado de toda a discussão. Como saber em qual situação encontra-se o indivíduo? É, simplesmente, impossível de conhecê-lo. Assim, a decisão pela pena de morte é algo muito delicado, principalmente quando, nestes casos, o juiz vê-se envolvido por uma comoção social que poderá agregar centenas, milhares ou, até mesmo, milhões de pessoas.

 

37) O que é loucura para a Umbanda? Karma, obsessão de outros espíritos…?

Para início de conversa vamos definir bem os termos com os quais estamos lidando. A palavra Loucura, do ponto-de-vista esotérico, denota o estado de pré-iluminação, no qual todo ser que busca a sua elevação acaba por vivenciar. Bem entendido, é claro, que este é um estado no qual muitos poucos têm condições de vivenciar. Melhor explicando, a média da população está longe de entendê-lo. Loucura é o estado vivenciado pelo Louco do Tarô, o ser que inicia seu retorno ao Pai. Loucura, no jargão esotérico, é um ser que vivencia todos os planos de manifestação simultaneamente. Percebe e recebe informações, quer sejam do mundo físico, astral ou mental. Caso não tenha sido preparado previamente, este estado poderá levar o indivíduo ao estado de pura maluquice, doideira, mesmo.

Esta palavra sim, doido, tem a conotação que o vulgo lhe dá. Na maioria das vezes, caso não haja preparação para o indivíduo tornar-se um Louco, ao vivenciar vários mundos ao mesmo tempo, inicia um processo mental, denominado pelos psicólogos, de doido ou maluco ou até mesmo de louco. Mas neste caso, bem diferente do Louco que tem plena consciência daquilo que lhe acontece. Imagine uma pessoa despreparada vivenciar vários planos de manifestação simultaneamente. Normalmente, não conseguimos nem ao menos vivenciar nosso plano físico de modo íntegro, imagine aperceber-se de todos os outros ao mesmo tempo.

Este estado de loucura ou maluquice é fruto, logo de início, pela falta da “linha do tempo”. O Louco, por não vivenciar somente o plano físico, vive em mundos em que a “linha do tempo” não existe, pelo menos não como a entendemos. Desta forma, presente, passado e futuro se misturam e se fundem em sua mente, imprimindo emoções do agora, do passado e daquilo que ainda está por vir. Isto provoca um estado chamado, pelos psicólogos, de esquizofrenia. Concluímos, então, que todo Louco (o Divino) é um esquizofrênico, mas nem todo esquizofrênico é um Louco e sim um maluco ou doido. A meta do ser humano é tornar-se, um dia, um Louco, de modo a iniciar o seu processo de retorno ao Pai. Neste caminho, ou você se torna um “Louco Divino” ou não passará de um “doido de beira de rua”.

Tendo esclarecido estas questões, passamos a pergunta do que vem a ser a loucura, ou melhor, a “maluquice ou a doideira” das pessoas. Um dos fatores já foi discutido nos parágrafos anteriores. Aliás, esta é a maior de todas as causas, apresentando um grande índice de incidência. A maioria dos esquizofrênicos são pessoas que não conseguem lidar com este novo “estado de espírito” que nelas inicia-se a brotar. A fim de tornarmos mais didática a nossa dissertação, vamos dividir as causas da loucura em dois tipos: exógenas (de origem exterior) e as endógenas (de origem interior). Começando por aquelas de origem endógena, a busca pela “iluminação” é das mais freqüentes.

Outra, é a descompensação química no organismo, fator bastante comum, principalmente nos dias de hoje, com a alimentação tão desequilibrada do ser humano, carente da grande maioria dos oligoelementos (metais que encontram-se em quantidades ínfimas, porém, de extrema importância) essenciais ao bom desempenho do corpo humano; como exemplo citamos o lítio, bastante famoso em nossos dias.

Analisando agora as de origem exógena, a obsessão de seres do plano astral, que imprimem códigos comportamentais distintos da sua vítima é a mais freqüente nesta categoria. Certos psicólogos chamam a este ser, do mundo astral, de personalidade intrusa, os famosos PI. Costumam causar seríssimos danos à vítima, não só no corpo físico como também em outros corpos da constituição humana. Outra causa, de ordem exógena, reside nos distúrbios emocionais a que os seres humanos estão sujeitos, tais como, perda de alguém muito próximo ou bruscas transformações na vida de uma pessoa. Este desequilíbrio emocional altera toda a química do organismo, favorecendo às personalidades intrusas se instalarem no organismo desequilibrado, gerando um desequilíbrio ainda maior que, por sua vez, favorece ainda mais a instalação de outros obsessores, levando a estados mais alterados de consciência. É a doideira generalizada.

 

38) Que atitude tomar em relação à vaidade estética?

A beleza é algo que sempre deve ser buscado pelo ser humano. O uso de cosméticos e jóias já era bastante difundido na Antiguidade. A diferença é que, seu uso, era de caráter religioso. As pessoas se arrumavam, se pintavam, colocavam jóias e outros adornos para determinadas cerimônias religiosas, onde os Sacerdotes eram os mais bem “trabalhados”. Cada cor de sombra nos olhos, cada cor de batom, cada cor de maquiagem, cada pedra preciosa, seja encastruada em ouro, prata, bronze, platina, ou qualquer dos metais utilizados em magia, têm um fundamento mágico.

O caminho da evolução do ser humano não é só o espiritual, mas também o aprimoramento da raça, permitindo que seres cada vez mais evoluídos se manifestem em corpos mais elaborados e belos. A beleza, seja ela espiritual ou física, é meta de qualquer ser vivo. Assim, a vaidade com o corpo deve ter o mesmo peso daquela com o espírito. Lembrando do ensinamento de alguns Mestres que nos dizem que o corpo deve estar muito bem cuidado para que o espírito se manifeste em toda a sua plenitude. Quando a vaidade torna-se exagerada, como tudo o que passa dos limites da razão, aí instala-se o problema. Tudo em excesso é maléfico ao corpo e à mente.

Concluindo, a busca de um corpo belo é fundamental no caminho da ascensão. A vaidade comedida, como tudo que seja comedido, é uma qualidade fundamental no ser humano. Como os padrões de beleza diferem muito nas diferentes épocas, o padrão estético, hoje considerado belo, pode não sê-lo amanhã.

 

39) Existe a cara-metade (companheiro)?

Sim. Mas muito cuidado com as interpretações daí advindas e suas conseqüências nos relacionamentos. Vamos tentar explicar a origem desta busca, muitas vezes frenética, por pessoas despreparadas, pela sua cara-metade. Quando do momento de “nossa criação”, o Criador gera seres hermafroditas, ou seja, seres que trazem em si ambos os sexos. Por questões de ordem evolucionária, houve a necessidade de se “partir” estes seres em dois, para que se manifestassem no mundo da matéria, “criando”, neste exato momento, duas polaridades opostas ou, no dizer vulgar, dois sexos diferentes. Um positivo, ativo e masculino e o outro negativo, passivo e feminino. Mas, todos nós trazemos dentro de nós a sede por reencontrar a cara-metade, ou melhor dizendo, a vontade de nos tornarmos, novamente, o hermafrodita divino.

O que a grande maioria das pessoas não entende é que, para isto, é preciso se estar em um avançadíssimo grau de despertar, o que em nossos dias conturbados, é como achar agulha no palheiro. E note-se que será preciso ambos estarem no mesmo grau de despertar.

Assim, vemos que a cara-metade é a busca incensante de todo ser humano, que a partir de suas bodas, chamada de “bodas divinas”, retorna ao Pai com seus corpos fundidos num só. Deste reencontro de almas gêmeas, um degrau a mais é galgado na busca da elevação. Só que esta busca não deve se tornar a meta da existência de cada ser humano, pois ela ocorrerá, naturalmente, quando ambos estiverem preparados. Quando as almas gêmeas estão prontas, os deuses se enveredam no divino dever de acolhê-las.

Em 99,99% dos relacionamentos, a força que mantem os amantes unidos (aqui a palavra amante não deve ser entendida com a conotação de ato pecaminoso que a sociedade lhe impõe e, sim, como as pessoas que se amam) é a força kármica que faz com que uma pessoa se sinta perdidamente atraída por outra. É a força kármica que, superando todas as barreiras, junta pessoas tão diferentes, de educação, as vezes, tão distinta e de culturas e raças tão desiguais. Os laços kármicos são os mais fortes que os seres humanos, em talvez a sua totalidade, tem condições de vivenciar. São eles que movem o mundo rumo ao Grande Criador. Querer entender se um relacionamento é fruto da união de almas gêmeas, fruto de resgate kármico de duas ou mais almas, ou geração de karma advindo da falta de respeito entre dois seres, é pura perda de tempo, retirando toda a magia no qual todo relacionamento deve se apoiar: a busca de sua satisfação e a do companheiro(a).

É deixar de viver este encantamento: almas apaixonadas, sejam por quaisquer laços, que escolhem um caminho comum para realizarem seu propósito de vida.

 

40) O espírito pode reencarnar num animal irracional, planta ou mineral?

Existem duas grandes Escolas ou Tradições nas quais baseia-se a maioria das religiões. Uma Ocidental e a outra Oriental. Nenhuma religião ocidental, ou seja, do lado de cá de nosso Globo, aceita o fato da “involução”, a reencarnação do homem num animal irracional, planta ou mineral. Estamos sempre caminhando para frente ou, quando muito, estagnados em um ponto, porém, nunca para trás. Já, certas religiões baseadas na Filosofia Oriental, aceitam a reencarnação do ser humano como animal irracional. Daí, preocuparem-se muito com os animais domésticos a sua volta, pois julgam tratar-se de antepassados.

Importante é não escarnecer de nenhuma Filosofia, pois que todas são fruto de “algo” divino. A melhor “filosofia de vida” é aquela que nos ensina a respeitar todo e qualquer ser vivo como se estivéssemos respeitando a nós próprios! Somente a título de curiosidade, o filme de tanto sucesso, O Pequeno Buda, mostra, logo no início, a crença na metempsicose.

 

41) A Umbanda faz regressão de vidas passadas?

Nenhuma religião se propõe a realizar a regressão a vidas passadas. Este fato não é, por outro lado, banido de seus rituais, quando ocorram naturalmente. O lapso de tempo, por alguns chamado de “insight”, para ocorrer a regressão, requer uma técnica apurada, de modo a não causar traumas na pessoa que se dispõe a realizá-la. Os rituais da Umbanda, quando a pessoa se coloca em estado de receptividade, favorecem este “ligamento” com o passado. Mas, de modo algum, isto deve ser enfatizado ou alimentado. Conforme nos ensina a Teosofia, não é por acaso que todo ser humano encarna sob o “véu do esquecimento”, de forma a facilitar o seu pleno desenvolvimento, além de facilitar, em muito, seu resgate kármico com todos aqueles com quem deva se relacionar.

Imaginemos, por exemplo, uma pessoa que, na presente encarnação, está aprendendo a amar uma outra pessoa e, ao fazer uma regressão, descobre que aquele a quem tanto ama foi seu algoz em uma encarnação passada. Imagine a seriedade dos problemas nos quais esta pessoa se verá envolvida, podendo levá-la a ter ódio daquele que já começava a desenvolver uma forma de amor.

Por isso, a regressão à vidas passadas, quando não com finalidades terapêuticas, deverá sempre ser evitada. É válida quando sugere-se abolir traumas ou fobias decorrentes de causas no passado distante. Somente nestes casos deverá ser empregada. Nunca com finalidade de querer se saber quem foi, se príncipes ou princesas. Já perceberam a quantidade de “Cleópatras” encarnadas. Dificilmente vemos casos de regressão em que o indivíduo se vê como um lavrador, feirante ou gente comum do povo.

 

42) Através da Umbanda podemos nos comunicar com amigos ou parentes que já faleceram?

É possível, mas não é norma ou rotina. A Umbanda é uma religião que não faz o culto aos mortos, como o catolicismo e o kardecismo. A Umbanda cultua Entidades do Plano Mental. É claro que todas as Entidades de culto dentro da Umbanda já estiveram encarnadas e, sob este aspecto, são também “mortos”. A diferença reside no fato de que o “morto”, como o vemos, vivencia o Plano Astral, enquanto que uma Entidade vivencia o Plano Mental. Nossos amigos ou parentes, pelo simples fato de o serem, significa que têm pouco tempo (10, 20, 30 ou 50 ou 60 anos) de falecidos.

Dependendo do adiantamento espiritual de cada um, isto pode ser ainda muito pouco para já terem se despido de suas “vestes” astrais, vivenciando, por conseguinte, este Plano. Como o adiantamento espiritual de cada um é algo extremamente difícil de ser avaliado, fica, da mesma forma, extremamente difícil de se avaliar “por onde anda o nosso amigo ou parente”.

Quando ocorre de uma pseudo-entidade identificar-se como um amigo ou parente, o fato, por si só, já é merecedor de nossa desconfiança. Uma Entidade (note-se o E maiúsculo) não se identificaria nunca como um amigo ou parente, isto porque, para que tenha atingido o grau de uma Entidade, na forma como a Umbanda a vê e entende, seria necessário já ter-se despido de seu ego personalístico ou inferior, pois estaria “vibrando” no Plano Mental. Assim, escolheria um nome fantasia qualquer, destes utilizados pela Umbanda e tão carregados de sentido mágico.

Quando acontece da identificação ser através do nome do falecido próximo, com certeza, ali não está uma Entidade e sim, a própria essência do falecido, buscando conforto e o que necessitar. Só que este conforto deve ser realizado pelas Entidades, através da Falange de Pretos-Velhos. É a eles que devemos dirigir nossas preces ao desencarnados. Do exposto, fica claro que a invocação de pessoas desencarnadas é algo a ser evitado, pois carrega consigo toda a energia do Plano Astral, o que, dependendo da energia, poderá trazer malefícios aos que lhe cercam.

 

43) Por que o Caboclo do Sol e da Lua dirige o Templo? Quais as suas características?

Da mesma forma que em nosso plano físico, algumas pessoas, além do perfil para desempenharem funções de comando, devem acumular também a formação para a ocupação de tais cargos, nos planos superiores o mesmo ocorre. O Caboclo do Sol e da Lua, além de ter o perfil para tal função, foi preparado para isto.

Lembre-se bem que, tal fato não implica em dizermos que o Caboclo está em um plano de desenvolvimento espiritual superior ao de qualquer outro Caboclo que ali, no Templo, se manifeste. Da mesma forma que o comandante de um destacamento militar não é mais instruído ou melhor que todos que estejam abaixo dele. A hierarquia existente em nosso mundo tende a se espelhar na rígida hierarquia espiritual.

 

44) Qual a posição frente ao álcool, ao cigarro, às drogas a base de ervas e cocaína, heroína, crack, êxtase e outras?

A grande Força da Umbanda reside na prática do mediunismo. Esta prática é natural, não devendo ser induzida por nada. Tudo o que foi citado na pergunta, sejam quaisquer que sejam as drogas, gera um estado de alteração na consciência provocado por fator externo e não natural. Esta forma de indução do transe é extremamente prejudicial à saúde, “queimando” e rompendo com os nâddhis do nosso corpo.

Os nâddhis são canais energéticos por onde circula a energia prânica. Melhor explicando, são canais por onde circula a energia emanada do Sol, fonte de toda a nossa vitalidade. Estes canais têm sua correspondência no plano físico no sistema linfático. Estes nâddhis, são como as células nervosas de nosso organismo, que uma vez destruídas não se recuperam mais. Daí o cuidado que devemos ter nas práticas mediúnicas.

Outro fator que deve ser ponderado em nossa análise, é o fato do uso de drogas, levar o usuário a níveis de consciência que o fazem vivenciar planos, onde os habitantes, pela simples “proximidade”, induzem a cada vez mais, a procura de sua própria satisfação.

Como se tudo isto não bastasse, alia-se o grande mal que todas estas drogas acabam por provocar em nosso corpo físico, o qual é tão sagrado quanto os outros. O corpo que nos faz vivenciar o mundo físico não nos pertence. Pertence à Mãe Terra que no-lo empresta para seguirmos nossa rota evolucionária.

Ao final da presente encarnação, temos a obrigação de devolvê-lo, sem que tenha sofrido muitos maus tratos. Não temos o direito de destruir algo que não nos pertence. Os Mestres já nos diziam que, nossa raça atual, teve seu corpo físico “planejado” para durar mais de 100 anos e que, por diversas práticas errôneas, aos 70 anos ou em muitos casos bem menos, nosso corpo já está bastante alquebrado, não permitindo ao nosso espírito que se manifeste em toda a sua plenitude. O uso de drogas provoca sérios danos ao corpo físico, tanto quanto aos corpos energéticos.

Além disto, todas estas drogas induzem ao vício e, qualquer que seja o vício gera uma dependência. Esta dependência não cessa com a “morte” do corpo físico. Como tem sua origem no corpo emocional ou astral, também chamado de corpo das ilusões, a necessiade do uso, no sentido de satisfazer a dependência, irá continuar mesmo após a “morte”. Isto gera dantescas situações, onde drogados fazem qualquer coisa na busca de sua satisfação, nem que seja através de um corpo que não o seu.

De todo o exposto, concluímos que o uso das drogas, por qualquer que seja o motivo, é terminantemente vedado em qualquer que seja a religião. Visando não omitirmos nada com referência a este assunto, cabe-nos mostrar o outro lado da questão. Quando falamos que todas as religiões abominam o uso das drogas, estamos falando do uso exotérico, ou seja, do uso por qualquer ser, fora de uma ritualística.

Analisando mais profundamente a questão, vamos perceber que todas as religiões utilizam várias ervas denominadas de sagradas. Estas ervas sagradas, em sua maioria, são ervas alucinógenas, que provocm um estado de “transe”. A diferença está em que este transe provocado pela erva sagrada é feito dentro do Templo, sob  supervisão, em horários corretos.

Outro fator é a hora da colheita das ervas. Uma erva lunar não pode ser colhida com o Sol. Já as ervas solares não podem ser colhidas com a Lua. Uma erva lunar não pode ser consumida à noite. Já as ervas solares não devem ser consumidas ao Sol. E mais diversos outros parâmetros devem ser considerados.

Não vamos nos estender mais sobre este assunto, pois que estaríamos entrando em uma seara esotérica, ou seja, vedada aos curiosos. Somente a título de curiosidade, basta ler qualquer trabalho sobre as religiões antigas e vamos encontrar o uso de diversas ervas, ditas sagradas, na sua liturgia.

 

45) Por que foi colocado um pano branco envolvendo a Cruz ao lado da porta do Templo? Qual a função dessa Cruz?

A função da Cruz já foi respondida em uma pergunta anterior. Quanto ao pano, vem representando a vestimenta material que se despe ao atingir a redenção na Cruz. Não fica nada na Cruz a não ser a lembrança de um corpo material, quando a alma ascensiona a níveis de consciência mais elevados.

 

46) Qual a finalidade de se entrar por um lado e sair pelo outro durante as consultas?

Durante os trabalhos de consulta são formadas diversas correntes, em volta de todo o Templo, como se estivessem circulando em volta das Entidades que ali estejam presentes, em volta de altares e em volta de vários outros lugares. Estas correntes, exatamente como se fossem uma corrente elétrica, têm um sentido. Caso você tome o sentido contrário de uma dessas correntes, ou a interrompa, poderá causar um “curto-circuito” e receber um “choque”. Este choque, não necessariamente sentido na hora, poderá lhe ocasionar danos aos seus corpos energéticos. Daí a necessidade de se respeitar as indicações de como se movimentar dentro de um Templo, dadas por um médium experiente.

 

47) Que comida é típica de cada Falange? Qual o motivo dessa prática?

Iniciando por responder pela segunda parte da pergunta, a palavra “comida” para designar os ímãs de cada Falange não é a mais apropriada. Comida nos dá a impressão, como o nome sugere, algo que será comido, ou degustado por uma dada Entidade. E isto é completamente falso. Nenhuma Entidade precisa se alimentar, tal qual estivesse em um corpo material. Só a matéria precisa do alimento físico, e como as Entidades não possuem um corpo físico, não precisam de comida para se alimentarem. Como dissemos, só a matéria precisa do alimento. Assim, de forma a atingir objetivos de ordem material, são ofertadas “comidas”, para que a energia por elas liberadas, sejam utilizadas para um determinado fim, na matéria.

Quando oferecemos cachaça, mas conhecida por marafa, a uma determinada Entidade, é evidente que a Entidade não bebe a cachaça. A energia contida naquele material é canalizada, pela Entidade, a um determinado fim. No caso específico da cachaça, a título de curiosidade, sabemos que possui, em sua composição, o azoto. Este mesmo componente é a matéria prima na formação da vida no planeta, sem o qual, a mesma não seria possível. Vemos, então, que é o azoto contido na cachaça, a matéria-prima utilizada nos “trabalhos” de certas Entidades e, que de modo algum, uma verdadeira Entidade, utilizaria a cachaça ofertada para bebê-la. O mesmo se aplica às “comidas”. Nenhuma Entidade irá comer o que lhe foi ofertado. Utilizará, isto sim, da energia emanada pela combinação alquímica do “despacho”. As Entidades são os grandes alquimistas. O processo de “despacho com comidas de santo”, conforme o vulgo define é, em realidade, uma poderosa alquima, que combinando diversos materiais, produzem uma emanação energética tal, que atenderá aos objetivos que se propõe.

Esta alquimia, normalmente feita com as dádivas da natureza, como as frutas, legumes, vinhos, sumos de plantas e diversos outros materiais que não sejam de origem sacrificial, poderá, também, ser feita utilizando-se metais, pedras, velas coloridas e qualquer outra coisa que a natureza nos ofereça sem que tenhamos que “matar”, ou melhor, cortar a evolução, para conseguirmos noso intento.

A oferenda de flores, tão popular nos ritos Umbandísticos, tem uma interpretação semelhante. É evidente, por exemplo, que a Força de Yemanjá, não necessita de nossas flores para agradá-la. Quando vamos à praia, habitat natural da vibração de Yemanjá, para ofertar-Lhe flores, estamos, na verdade, facilitando a comunicação nossa com esta vibração. Explicando melhor, no momento em que colocamos no mar as flores, estando em presença do habitat natural de Yemanjá, estaremos canalizando para nós mesmos esta vibração, entrando, desta forma, em sintonia com esta vibração e recebendo seus eflúvios. Percebemos, do exposto, no fundo da questão, que as flores são para nós mesmos e não para Yemanjá. Como é sábia e interessante a Umbanda!

Voltando, agora, para a primeira parte de sua pergunta, abaixo apresentamos as “comidas” típicas de cada Falange:

Ibeijada:            Todos os doces de um modo geral, como os distribuídos nas Festas de S. Cosme e S. Damião,                     cocadas e guaraná.

Caboclos:          Frutas diversas e legumes diversos, dependendo do Orixá ao qual está ligado. Vinho moscatel                    ou sumo de ervas, dependendo, também, do Orixá ao qual está ligado.

Pretos-Velhos:   Mingau-das-Almas (preparado feito com água e farinha de arroz), agrião, rapadura, melado                      e vinho tinto.

Exu:                    Farinha de mesa, dendê, cebola, alho, pimentas malaguetas e cachaça

Pomba-Gira:     Farinha de mesa, dendê, cebola, alho, pimentas dedo-de-moça e Cidra.

 

48) Por que são feitos despachos? Esta pergunta foi feita, pois na abertura da Gira passada se falou no respeito necessário aos “trabalhos” e, também, que por mais errado que eles sejam, sempre tem alguém que toma conta deles. Mas, toma conta como? Sei que os espíritos precisam dos médiuns para se comunicarem. Mas, precisam de comida p’ra quê? Se os “trabalhos” estiverem errado, aí, sim os espíritos inferiores se apoderam ou não?

A primeira parte, assim como quase a totalidade da pergunta, sobre o motivo pelo qual são feitos os despachos, acredito já tê-lo respondido na questão anterior.

Toda a alquimia realizada em um despacho, mesmo que de forma errônea, irá gerar, em qualquer caso, um campo de energia. O campo gerado poderá ou não fornecer os meios para se atingir o objetivo proposto. Mesmo que feito erradamente, o campo energético gerado irá atrair a si vários seres do campo astral. Estes se apoderam do trabalho, utilizando de sua energia para a finalidade que julgarem, podendo, na maioria dos casos, ter um fim não condizente com os princípios cristãos. Cristãos, aqui, entenda-se bem pelos princípios do Cristo. Não confundí-los com os princípios católicos.

 

49) Por que não se pode ter janelas dentro de um terreiro, se a maioria deles é ao ar livre?

A afirmação desta pergunta é um absurdo. Pode-se ter quantas janelas quiser. Se não temos mais em nosso Templo é pura e simplesmente por uma questão de ordem financeira, pois as janelas encarecem uma obra. Como muito bem observado na pergunta, o ideal para a prática Umbandística, assim como de qualquer religião, é se utilizar do maior e melhor Templo do mundo, que é a própria Mãe Natureza. Infelizmente, nós, seres humanos, ainda não estamos preparados para este tipo de prática, pois nossa mente ainda se deixa levar por mudanças de temperatura e intempéries da natureza.

Talvez a dúvida esteja não nas janelas, mas sim pelo uso proibitivo de ventiladores no interior do Templo, no salão aonde se realizam os trabalhos. O ventilador gera uma corrente de ar artificial dentro do ambiente, desequilibrando os quatro elementos (ar, terra, fogo e água) nos rituais. Daí ser o uso de ventiladores, ou de qualquer outro aparato que venha a desequilibrar estes quatro elementos, terminantemente vedado.

 

50) Por que se entrar descalço e sem nenhuma bijuteria para se consultar? E, às vezes, com os cabelos soltos?

Os pés são uma parte do corpo importantíssima na circulação das diversas energias em nosso corpo. É justamente por este ponto que é feito a descarga de todas as energias, quer em excesso, intrusas ou outras estranhas a nós. Daí a importância de mantê-los em contato com a terra para que possa haver este “descarrego” natural. Este é o motivo pelo qual, as vezes, certas Entidades nos pedem que andemos com os pés descalços. É o nosso fio terra.

As bijuterias, normalmente feitas com ligas metálicas, funcionam como um grande ponto de atração para as mais diversas energias. De todos os metais, a prata é, sem dúvida, o que mais atrai energia negativa. No trabalho mediúnico, os metais não devem ser utilizados, pois que cada um tem a sua função própria. Como não sabemos, de antemão, a finalidade de dado trabalho, com uma determinada pessoa, o ideal é que não porte nenhum tipo de adorno consigo, pela influência do metal na liga. Já o ouro é o único metal que não oferece qualquer tipo de problema nos trabalhos ritualísticos, pois é um metal de expansão energética, facilitando o contato com tudo o que é Divino.

Os cabelos são a grande antena de nosso corpo energético. Prendê-los, significa dificultar o contato com as Forças com as quais queremos entrar em contato, daí ser pedido para mantê-los sempre soltos. Este é o motivo pelo qual os Faraós raspavam-se totalmente, pois que não podiam entrar em contato com estas forças, de forma a manterem-se sempre em perfeito equilíbrio energético. É por este mesmo motivo que o Candomblé mantem seu ritual de “raspagem”, de forma a cortar as antenas que facilitem o contato com outros mundos.

 

51) O que é feito com os nomes e endereços colocados na caixinha para irradiação? Por que não se pode colocar nomes de pessoas mortas? E como fazer para lhes dar conforto?

Os nomes lá colocados são levados a uma mesa preparada, para que possam receber, durante o período de 7 dias, as influências das Forças ali atuantes, sejam as Entidades, sejam outras manipuladas por estas mesmas Entidades, de forma a lhes proporcionar paz, conforto, saúde e toda a sorte de pedidos que é feita. Findo este período, todos os nomes são queimados, para que os papéis não possam ser utilizados por quem quer que seja e, em seguida, certas ervas são colocadas sobre a queima. Assim, os laços são desfeitos e nenhum vínculo fica criado entre o Templo e a pessoa. Não seria justo com a pessoa, manter seu nome “ligado” ao Templo. Além disto, o fogo tem a capacidade de tudo transformar, ajudando na resolução dos problemas.

Já as pessoas mortas, dependendo do grau de adiantamento que se encontrem, atraem para si, as vezes, um grande número de seres, que por se encontrarem em estado de inconscência quase total, não sendo senhores de seus atos, são joguetes nas mãos de qualquer um. Isto iria prejudicar, em muito, o trabalho com os outros. A melhor forma de ajudar ou confortar os mortos seria através de um pedido de ajuda à Falange dos Pretos-Velhos.

 

52) Quando se tem várias Entidades, da mesma Falange, nos incorporando, isto significa que todas irão trabalhar conosco ou que, ao final de um processo, só restará uma trabalhando?

Normalmente, o médium em um estágio de desenvolvimento sofre a atuação de diversas Entidades da mesma Falange.

Ao final do processo, as Entidades ficam definidas e, quase sempre, somente uma irá trabalhar nas consultas, ou mesmo nenhuma, caso não seja um médium com este tipo de mediunidade. Só ao final do processo tudo irá se definir.

 

53) Como os objetos de trabalho, de cada médium, são definidos?

São as próprias Entidades que os definem. São simbólicos e carregados de um profundo cunho mágico. Basta que se faça uma leitura à Luz dos conhecimentos esotéricos. Todo objeto de trabalho tem um fundamento mágico.

 

54) As rosas vermelhas são utilizadas na Gira de Povo-de-Rua. Quais as flores utilizadas nas outras Giras e por quê?

A utilização das flores tem o mesmo significado dos ímãs (comidas de santo) ou da libação (bebida de santo). Cada uma atrai, com maior facilidade, determinadas vibrações. As rosas vermelhas, carregadas de grande magia são consagradas à Pomba-Gira. A seguir apresentamos as demais:

Exu:                    qualquer flor, dependendo do Orixá ao qual se liga. Normalmente, possuem uma flor sua, que                   lhe é característica.

Caboclos:          aplica-se o mesmo que a Exu.

Pretos-Velhos:   margaridas ou qualquer outra, dependendo da Entidade

Crianças:           flores do campo ou qualquer outra, dependendo da Entidade

Oriente:              qualquer flor de miolo amarelo

 

55) A abertura das Giras é igual em todos os Centros? Por que esta se desenvolve desta maneira?

Infelizmente não. A Umbanda, por ser uma religião muito jovem, não possui órgãos que a controlem. Lembremos que, não faz muito tempo, os terreiros de Umbanda eram fechados pela polícia, que levava todos os praticantes para a cadeia, sob a alegação de práticas proibidas. Assim, cada dirigente conduz os rituais de acordo com a sua vontade, não havendo nada, nem ninguém que uniformize isto. Tenho vontade, as vezes, de, juntamente com minha Mãe-no-Santo, criarmos algum órgão que cumpra este papel. Mas parece ser muito difícil. Até lá, fica a baderna que vemos, com cada um fazendo conforme o seu jeito ou sua inspiração superior.

No nosso caso, como a Umbanda é uma “grande colcha de retalhos”, resolvi por desenvolver uma ritualística, na qual, a Invocatória não dispensasse os guardiães das religiões mais tradicionais.

 

56) Como as pessoas iniciam seu trabalho na Umbanda?

Freqüentando um Templo e aguardando que, um dia, a Entidade que dirige os trabalhos faça o convite par o ingresso.

 

57) Quando as Entidades são indagadas à respeito da fidelidade matrimonial, qual a posição assumida? Respondem a verdade ou procuram aconselhar a pessoa?

Para uma Entidade não existem preconceitos de espécie alguma. Uma pessoa pode amar quantas pessoas quiser ou apaixonar-se por quem quer que seja. A fidelidade matrimonial é uma questão da moral de cada um. Não existe o certo ou o errado. O que uma Entidade irá, sem dúvida, deixar bem claro, é a questão de respeitar-se o livre-arbítrio de uma pessoa. Em várias perguntas anteriores já tivemos a oportunidade de esclarecer que certos dogmas são oriundos da moral vigente de uma época e não da Verdade Suprema.

O que todas as Entidades nos ensinam é evitar-se, sob qualquer pretexto, a promiscuidade e o desrespeito ao livre-arbítrio do próximo. Evitar-se a promiscuidade é, antes de tudo, procurar relacionamentos com pessoas do mesmo “padrão energético”. Apesar de dificílima identificação, é bom deixar que o coração nos leve para onde devemos caminhar. Aqui cabe um alerta. Deixar que o coração nos leve, poderá significar que devemos nos deixar levar pelas marés kármicas de nossos resgates. Não tenhamos dúvidas de que os laços kármicos que unem duas ou mais pessoas, são o que de mais forte pode existir, na atração e repulsão de seres que se encontram. Mas, apesar do coração, guiado sempre pela emoção, nos levar aos relacionamentos kármicos, se soubermos nos livrar das teias da paixão, quem sabe poderemos evitar certas dores e sofrimentos. Mas, ressaltamos mais uma vez, a total ausência de preconceitos na mensagem de Entidades.

 

58) Qual o significado das cobras no símbolo do Templo?

Em todas as tradições religiosas, a cobra sempre foi o símbolo de seres da mais alta hierarquia espiritual. Na Tradição oriental a presença de uma cobra simboliza a presença de alguém de grande força espiritual. Não é por acaso que um dos grandes focos de Luz da Umbanda, auto-denomina-se Caboclo Cobra Coral. Na Tradição Egípcia, a Cobra Uraeus representa a Iniciação e toda a Sabedoria Oculta, da mesma forma que todas as serpentes.

Infelizmente a Igreja Católica, no seu afã de derrubar e deturpar toda a Sabedoria Oculta, inverte o significado da serpente, identificando-a com a maldade e a traição. Lembramos que no Velho Testamento o “diabo” se faz passar por uma serpente, a fim de seduzir Eva a provar a fruta do conhecimento, que está muito bem simbolizada pela maçã. Assim, as cobras entrelaçadas no símbolo do Templo, representam a presença de seres de alta espiritualidade que “sustentam” a Casa, da mesma forma que “sustentam” o disco solar, colocado logo acima da cabeça das cobras.

 

59) Qual a diferença entre um transe provocado por uma erva sagrada e um transe natural?

O transe natural não danifica os nâddhis de nosso corpo energético. Nâddhis são canais por onde flui a energia prânica de nosso organismo. Uma vez danificados os nâddhis, os mesmos não são recuperados, pois o processo é semelhante à danificação dos neurônios (células nervosas do organismo), sendo portanto, irreversível. No transe natural, como o próprio nome nos diz, tudo é feito sem provocar qualquer dano ao organismo.

Já com respeito ao transe induzido, ou provocado por ervas alucinógenas, o processo de compressão do bulbo cerebral na parte inferior do cérebro, provoca o rompimento de nâddhis, além, de sérios danos nos neurônios. Os neurônios também não se reproduzem. Uma vez danificados não são substituídos. Assim, vemos que o transe induzido, sob quaisquer que sejam os meios utilizados, deverá sempre ser evitado.

 

60) Algumas Entidades falam para as mulheres que incorporam para não cortarem seus cabelos. Qual a posição da Umbanda neste caso?

Os cabelos são poderosas antenas de captação das mais diversas energias. No Antigo Egito, como os Faraós eram considerados encarnação da própria Divindade, não poderiam estar expostos a energias quaiquer. Por este motivo, tinham todos os pelos de seu corpo depilados, principalmente os da cabeça, de forma a evitar a captação de qualquer enrgia. A comunicação era feita com a Divindade somente. Usavam coroas ou outros objetos ritualísticos de forma a facilitar a comunicação com a própria Divindade.

Esta mesma ritualística é repassada ao Candomblé, que realiza a raspagem da cabeça. Do ponto-de-vista do Candomblé, este ritual está corretíssimo, pois esta religião não cultua a mediunidade, cultuando os Orixás que, sob o ponto-de-vista de alguns estudiosos no assunto, nunca viveram ou encarnaram. O Candomblé, não aceitando, de forma alguma, a comunicação com as Entidades, na forma como a Umbanda a concebe, repudia o processo de incorporação e, chega ao ponto de usar certos objetos que inibem determinados chákras menores de nosso corpo, bloqueando, desta forma, o processo de incorporação. A Umbanda, pelo contrário, como baseia toda a sua ritualística no processo do culto à mediunidade, seja ela de que forma se manifeste, não admite qualquer prática que venha inibir a comunicação com as mais diversas formas de energia que nos cercam.

Daí, retomando o ponto inicial da pergunta, vemos a explicação pela qual as Entidades, pedem a certas pessoas, que mantenham os seus cabelos sem cortar, ou que, pelo menos, não os cortem tão curtos, durante um certo período de sua vida. Cada um tem os seus motivos, e as Entidades, possuidoras de grande Sabedoria, passam sua visão àqueles que as cercam.

 

61) Qual o significado da Cruz?

Conforme já respondido em perguntas anteriores, a Cruz representa a crucificação do Espírito na matéria. É o próprio processo de encarnação. Reparamos que a Cruz possui quatro partes, que simbolizam também a “prisão” nos quatro elementos que formam o mundo material: terra, água, fogo e ar. No Antigo Egito colocava-se uma espécie de cruz sobre os cadáveres, da mesma forma que hoje o praticam os católicos.

Reparem que estamos falando da cruz católica, um dos símbolos mais difundidos no mundo ocidental. Existem várias outras cruzes com simbolismos os mais diversos da cruz católica. Como por exemplo, citamos a Cruz Ansata, a Cruz do Calvário, a Cruz Suástica, a Cruz Hermética e a Cruz Jaina, dentre outras.

 

62) Qual a posição da Umbanda diante da homossexualidade?

Esta questão também já foi bastante abordada em perguntas anteriores. Mas vamos discutí-la um pouco mais. A Umbanda busca seus fundamentos e preceitos na Tradição Mágica. Esta mesma Tradição Mágica é a fonte inesgotável aonde encontramos toda a Filosofia Universal. É a Tradição com todos os seus Princípios Herméticos. Logo, toda posição da Umbanda, frente a qualquer que seja o assunto, é a mesma posição da Tradição Oculta, repassada dentro de Templos e através do conhecimento dito de boca-a-ouvido. A Umbanda não possui dogmas como a Igreja Católica, que embotam qualquer espírito, amarrando-o às necessidades de uma elite sacerdotal dirigente.

Assim, a Umbanda vê a homossexualidade como algo natural, da mesma forma que a heterossexualidade, a bissexualidade ou a transexualidade. Não importa como, com quem ou aonde fazemos sexo. Não importa que partes do corpo são estimuladas eroticamente. Não importa também que órgãos serão utilizados para a prática sexual. A tudo isto que foi dito deve-se fazer uma única e importantíssima ressalva, que vem a ser a única recomendação dada pela Tradição quanto às práticas sexuais. Tenhamos a preferência que tivermos quanto às práticas sexuais, nunca o façamos obrigando ninguém a fazê-lo. O sexo é algo sagrado que deve ser feito de comum acordo entre as partes envolvidas. Aqui vê-se, novamente, o Grande Princípio de respeito ao livre-arbítrio de qualquer ser vivente. Não pratiques, de forma alguma, a promiscuidade. Esta prática suga qualquer indivíduo, vampirizando-o, além de “baixar” muito a sua vibração, tornando-o presa fácil de qualquer ser, encarnado ou não, que não tenha princípios de moral elevada.

Percebemos que a Igreja Católica, com seus “rígidos” princípios morais, calcados na moral de um indivíduo chamado Paulo de Tarso, deturpou a sacralidade do sexo como fonte de elevação espiritual, chegando ao ponto de transformar a mulher e o sexo em algo pecaminoso. Se fizermos um apanhado pela História Universal, verificaremos que, em muitas civilizações, o homossexualismo era algo natural e, até mesmo, sagrado.

 

63) Por que devemos pedir o que queremos para as Entidades? Elas não sabem do que necessitamos?

Aqui cabe-nos ressaltar dois pontos distintos. O primeiro é a tendência que temos de julgar uma Entidade como se o próprio Deus fora. Uma Entidade, por mais evoluída, espiritualizada que possa estar, ainda assim, está bastante distante de Deus. Somente Deus tem a faculdade de estar em todos os lugares ao mesmo tempo, significando poder nos sentir e compreender em toda  extensão. Assim, somente Deus poderá nos entender profundamente. É claro que, comparados conosco, seres imperfeitos e rudes que ainda somos, uma Entidade é o próprio Deus, mas devemos lembrar que, ainda assim, não é Deus.

Outro ponto, é a questão que novamente se coloca, que é a aplicação da Lei Maior que nos fala sobre o livre-arbítrio. Uma Entidade, mesmo sabendo de todas as nossas necessidades, nada poderá fazer caso não seja convocada a intervir.

Quanto mais espiritualizada e evoluída seja uma Entidade, quanto menos intervem em nossas vidas, pois o respeito à Lei do Livre-arbítrio é o mais sagrado de todos os princípios. Nada é feito a menos que seja solicitado! Logo, uma Entidade só nos ajuda, quando for solicitada. Do contrário, nada é feito, pois há o respeito ao livre-arbítrio de cada um.

Outro ponto a ser ressaltado, quando abordamos este assunto é a questão da humildade. O fato de julgarmos que uma Entidade sabe de nossas necessidades, nos abstendo do direito de solicitar ajuda, denota uma grande falta de humildade. É desculpa que buscamos, tentando encobrir nossa arrogância e prepotência, julgando que as Entidades têm a obrigação de saber de nossos problemas, como se os mesmos fossem a coisa mais importante com a qual teriam de se ocupar.

Quanta falta de senso de coletividade, achar que pequenos probleminhas nossos, possam ser mais importantes que as grandes diretrizes a serem seguidas pelos nossos Mestres. De todo o exposto, nossa correta atitude perante uma Entidade, é sempre a de pedir por algo ou alguém, sem que o pedido interfira no livre-arbítrio de outrem. E que não se esqueça de algo tão importante quanto o pedir, que é o agradecimento por todas as dádivas recebidas. Agindo desta forma, e respeitando uma Entidade com todas as reverências de que são merecedoras, estaremos, sem dúvida alguma, agindo da maneira a mais correta possível.

 

64) Como conseguimos resgatar um karma familiar, quando a Entidade pede para levarmos uma pessoa até o Templo e a mesma se recusa a nos acompanhar?

O resgate de qualquer karma é uma ação que poderá envolver uma, duas, centenas, milhares ou até milhões de pessoas. Existem casos em que o resgate é feito através de uma única pessoa, cabendo para tanto que a mesma faça aquilo previsto pelos Senhores do Karma, sempre ressaltando-se que todo o ser realiza o que quer, movido pela Lei do Livre-arbítrio. Quando as ações a serem desenvolvidas dependem de mais de uma pessoa, é preciso que se reuna as condições propícias para tal resgate. É o caso de se agruparem as pessoas em famílias; bairros; cidades; nações ou grupamentos sociais, como por exemplo, escolas, empresas ou templos religiosos. Vemos, então, que é importante a participação de todos os envolvidos com um determinado resgate. E, sempre, de uma forma ou de outra, nossas ações acabam nos dirigindo para tal fim.

Mas a Lei do Livre-arbítrio novamente precisa ser aplicada. Quando a Entidade solicita a presença de uma pessoa através de uma outra, cabe àquela que recebeu o recado, passá-lo adiante. Sua responsabilidade estará aí encerrada. Agora, só dependerá da pessoa que foi solicitada acatar ou não o recado. O importante é que o intermediário desincumbiu-se de sua missão, estando as próximas ações nas mãos do outro.

 

65) Qual o significado dos planetas?

Conforme muito bem descrito na Doutrina Secreta, de autoria de Helena Petrovna Blavatsky, tudo no Universo, do átomo a Deus, é vida! Logo, tudo que existe em nosso plano, tem vida. Da mesma forma que nosso corpo físico serve de morada ao nosso espírito encarnado, sendo portanto, seu veículo de manifestação neste mundo da matéria, os planetas ou qualquer outro corpo do Universo são veículos de manifestação, no mundo material, de energias. Uso a palavra energia, com a certeza de que deve existir uma outra melhor, para definir toda esta força que habita qualquer corpo. Esta energia poderá se manifestar através de um mineral, uma planta, um animal, o ser humano, anjos, Devas, Arcanjos, elementais, Elohins etc… Ou seja, através de todas as Hierarquias que se manifestam em nosso Universo conhecido.

Assim, os planetas são o corpo físico de seres altamente evoluídos que, por se encontrarem muito acima de nós, não nos permitem se fazer entender pela nossa consciência, ainda tão embutida e pouquíssimo desenvolvida. Só como exemplo, citamos a constância do movimento planetário, que a nossa raça humana, acostumada com o livre-arbítrio, sequer entende ou admitiria para si, por julgar-lhe extremamente monótona, esquecendo-se que, se deixar levar pelas determinações Divinas, é atribuição de seres tão Divinos quanto a própria Divindade. As civilizações mais antigas, bem mais espiritualizadas e com fundamentos filosóficos bem mais avançados que a nossa, compreendiam muito bem a energia que estes verdadeiros “deuses” despejavam sobre a nossa Terra e a utilizavam de modo bem mais consciente.

O estudo da Astrologia revela um pouco deste fascinante mundo Divino. Concluindo, os planetas são, em verdade, o corpo físico de seres tão evoluídos, que nossa pequenina mente tão embotada sequer pode entendê-los. Na Magia não nos importamos com a massa física de um planeta e sim com o Logos que o habita. Logos seria o correspondente, no nosso nível, do espírito. Utilizamos da palavra Logos e não espírito, pois um está muito distanciado, em termos evolutivos, do outro.

 

66) O que a Umbanda diz sobre uma afirmação, ouvida anteriormente, de que Tempo é um Orixá?

A Umbanda, conforme explicado em perguntas anteriores, não entende os Orixás como o Candonblé os entende. A Umbanda os vê como uma manifestação de qualidades Divinas, da mesma forma que a teoria cabalística da Árvore da Vida. O culto aos Orixás foi trazido pelo negro, nos porões da escravatura, importados da África. No Brasil, este culto foi tomando características próprias, fazendo surgir o que hoje conhecemos como a religião candomblecista. Na África, eram cultuados para mais de 144 Orixás, tendo o negro importado para o Brasil somente os mais cultuados em suas próprias terras. Assim, o Orixá Tempo, como diversos outros, tiveram culto restrito no Brasil, sendo considerado, por alguns, como um Orixá e por outros não.

A Umbanda não presta culto a este Orixá, da mesma forma que não presta culto a vários outros Orixás como Obá, tão cultuada dentro da religião candomblecista. Sempre lembramos que a forma da Umbanda entender um Orixá é bem diferente da forma como o Candomblé o entende.

Infelizmente, a palavra Orixá é utilizada por ambas, gerando toda a confusão e fazendo com que, a maioria das pessoas, julguem tratar-se Umbanda e Candomblé, como se facções de um mesma religião o fossem. Ledo engano!

 

67) O que significam os elementos Fogo, Água, Terra e Ar?

O Fogo representa o espírito. Em nosso organismo é representado pelos nossos hormônios. É a criação. É a essência Divina. É a chama que a tudo dá vida e ilumina. A chama da vela simboliza este elemento.

A Água representa a nossa emoção, nosso corpo astral e todas as ilusões da vida. Em nosso organismo é representada por todos os fluidos de nosso corpo. Todas as flores e plantas, bem como a própria água, simbolizam este elemento.

A Terra representa nosso corpo físico e toda a fartura e prosperidade do mundo material. Em nosso organismo está representada pelos nossos ossos que nos dão a sustentação para a vida. Os cristais e o punhal simbolizam bem este elemento.

O Ar representa nossa mente. Em nosso organismo está representado pelo próprio ar que move nossos pulmões e promove a vida dentro de nós. Os incensos, de um modo geral, simbolizam este elemento.

Reparem que fizemos menção ao nosso espírito e à nossa mente. São coisas distintas. O Espírito é a nossa essência mais pura e Divina. Nele está o elo de conexão com a Divindade. Nele está a partícula Divina que habita em nós. Já nossa mente é algo mais denso, que da mesma forma que nosso corpo astral, burilado pelas nossas emoções, forja os diversos corpos de nosso ser, evoluindo até fundirem-se em uma única coisa que é o espírito.

 

68) Qual a posição da Umbanda frente à doação de órgãos? A morte é considerada do coração ou cerebral?

A Umbanda novamente vai beber na fonte do Ocultismo sua posição sobre esta questão tão polêmica. Esta busca da Umbanda não é exclusividade sua, de vez que a Magia é única e Universal. Assim, como a Umbanda faz uso da magia, é preciso que beba na sua fonte, as diretrizes da conduta de seus seguidores. O Ocultismo nos ensina que devemos evitar quaisquer práticas, que possam comprometer o nosso rápido desligamento deste mundo material, quando de nossa passagem a outros planos de manifestação.

Enquanto houver algo ou alguém que nos mantenha ligados a este plano, dele não poderemos nos ausentar, mantendo-nos como prisioneiros deste mundo material. Um órgão doado é parte de noso ser que ali ficará. Enquanto nosso coração pulsar no peito de alguém, nosso fígado, olhos ou quaisquer outros órgãos mantiverem-se vivos, ainda que no corpo de outro, nossa consciência não poderá se desligar deste plano, mantendo-se a ele ligada por estes vínculos da carne. Do exposto, concluímos que a doação de órgãos é algo a ser evitado.

Por outro lado, quantos de nós estará preparado para um completo desligamento deste mundo da matéria? Quantos de nós poderá atingir a ascensão de um Mestre? Certamente, em toda a humanidade, não precisaremos de mais que nossos dedos das mãos para fazer a contagem. Assim, é da consciência de cada um, a opção pela doação ou não de seus órgãos. Conforme muito bem nos mostra uma narrativa, na qual o Grande Arcanjo Miguel pergunta a alguém sobre suas práticas enquanto encarnado, obtendo a resposta de que havia feito tudo exatamente conforme ditavam as “normas”. Miguel dirige-se ao seu interlocutor e fala: É, fizestes tudo conforme ditavam as “normas”, porém com quanta pena o fizestes. Deves retornar e aprender a realizar tudo sem pena de não fazê-lo”. Com respeito à segunda parte da pergunta sobre se devemos considerar como morte a do coração ou a do cérebro, tanto faz. Considerar-se-á como morte aquela que ocorrer em primeiro lugar, desde que o processo “vida” não seja mantido artificialmente por aparelhos.

 

69) Além do batizado e do casamento, existe algum outro “sacramento” na Umbanda?

Em primeiro lugar, a palavra sacramento não deveria estar entre aspas, como se a mesma estivesse em sentido figurado, diferente daquele utilizado pela Igreja Católica. A palavra, conforme a definição de Caldas Aulete, significa ato instituído por Deus com o fim de purificar e santificar as almas. Assim, qualquer que seja a religião, utiliza de rituais próprios, destinados a purificar e santificar seus devotos, ou seja, através de certas práticas, tentar uma maior simbiose entre o homem e a Divindade. A Umbanda possui também sete sacramentos próprios: batismo, casamento, extrema-unção e as imantações. As imantações, características na Umbanda são quatro, a saber: imantação para as energias cósmicas predominantes sobre o médium, mais conhecida por “deitada de Pai e Mãe”; imantação para a harmonização do médium com suas forças telúricas, mais conhecida por “deitada para Exu”; imantação com todas as energias que atuam sobre um médium, sejam cósmicas ou telúricas, de forma a harmonizá-lo com todo o ambiente que o cerca além de renovar-lhe todas as suas forças vitais, mais conhecida por Coroação.

Este sacramento é dos mais belos e sérios dentro da Umbanda. É através deste ritual que um médium completa sua “preparação” como um Iniciado na religião umbandista. E, por último, a imantação para a sagração de sacerdote na religião. É a mais completa de todas, ficando o médium pronto para “abrir” sua própria Casa e ser “tocado” por seus Guias e Mestres pela “Espada Divina”.

 

70) Por que, durante a corrente, os que incorporassem deveriam sair dela?

Não entendi a pergunta. Gostaria que fosses mais clara, citando qual a corrente em referência, ou qual a situação em que este fato ocorreu. Cite também quais as pessoas a que está fazendo referência, se médiuns ou não. Não me ocorre nenhuma situação, no momento, na qual pessoas sejam retiradas da corrente.

 

71) O que são assentamentos?

São objetos, perecíveis ou não, utilizados como ímãs para atrair a energia de um determinado Orixá ou a presença de determinadas Entidades ou Falanges. O assentamento, como ímã, simboliza a presença, no mundo da matéria, da Entidade, Falange ou a própria Força do Orixá. Na confecção dos assentamentos são utilizadas essências, metais, cristais ou pedras preciosas, velas coloridas, fitas, certas libações (mais conhecidas pelo vulgo como bebida de santo) e quaisquer outros materiais conhecidos como dádivas da natureza, como o mel, o trigo (mais comumente utilizado na forma de pão), frutas, cereais, verduras e legumes. Notem que a Umbanda não admite, em seu ritual, a utilização de qualquer energia oriunda de um sacrifício animal.

Cabe-nos ressaltar, que a feitura de um assentamento é algo que requer preparo de quem o faz, apoiado pelo sacramento sacerdotal.

 

72) Qual será o destino da construção antiga (atual) do Templo e as energias que nele atuaram?

Esta questão é algo bastante complexo. Vamos tentar explicar tudo de modo a torná-la de fácil entendimento. Assim como uma árvore precisa de raízes fortes para que possa se sustentar sem tombar, um Templo necessita de uma sólida sustentação para que não “caia” ao menor tremor. Quanto maior é a árvore, tanto maiores serão suas raízes. Quando as raízes não são suficientemente grandes e profundas, a árvore cai sob o impacto de uma forte tempestade.

Pela analogia, vemos que um Templo, em primeiro lugar, necessita estar construído sobre a terra. Templos não podem funcionar em apartamentos ou em espaços cujo chão esteja “suspenso” no ar. Na antiguidade, apesar de saberem construir como os apartamentos atuais, nenhum Templo era localizado de forma que não tivesse o contato com a terra. Toda energia cósmica que se manifeste em um Templo, tem a sua contraparte telúrica, de modo a formar o par oposto, base de qualquer manifestação no mundo material. Tudo que se manifesta na matéria é dual. A matéria é dual por excelência. É o macho-fêmea, positivo-negativo, polos opostos da mesma coisa.

Logo, a invocação de tudo que vem do Cosmos, como a energia dos Orixás ou seres com consciência cósmica, como os Caboclos, Pretos-Velhos e Crianças, tem que amparar-se com uma sólida força telúrica. Esta Força “sustenta” todos os “trabalhos”, além de ser a responsável pela criação das vias de descarregamento de todas as energias “negativas”, deixando o local, extremamente “imantado”, por estas energias não afins com seres de moral elevada e princípios filosóficos condizentes com o exemplo deixado pelos Mestres da espiritualidade. Do exposto, somente a nível de curiosidade, começamos a perceber que o modo pelo qual uma determinada pessoa sentir-se-á ao sair de um Templo, está na medida direta de sua ligação, seja com as Forças Cósmicas ou com estas energias de “descarregamento”. É importante que se ressalve que estas energias aqui definidas como de “descarregamento” não tem absolutamente nada a ver com os Grandes seres da Espiritualidade a quem chamamos de Exus e Pomba-Giras.

Esta “sujeira”, digamos assim, é de dificílima remoção, necessitando-se de rituais e práticas conduzidas por um sacerdote. Da mesma forma que a sujeira física acumulada em uma residência é de difícil remoção quanto mais passa o tempo, a “sujeira astral” acumulada no funcionamento de um Templo é também difícil de ser removida. Por este motivo, na Antiguidade, os Templos eram construídos em locais muito bem escolhidos, radiestesicamente, de forma que a própria energia telúrica do local, facilitasse a “limpeza”, mantendo a área do Templo sempre imantada por Forças Cósmicas somente.

Daí, nos sentirmos tão bem em Templos antigos. A Igreja Católica, muito esperta que é, construiu a grande maioria de seus templos, sobre Templos Antigos druidas, astecas, maias, incas, gregos, romanos. Sabe-se que um dos mais famosos templos católicos, a Igreja de Notre Dame, em Paris, na França, está construída sobre um templo druida, assim como diversas catedrais inglesas. No México, os espanhóis, após a tremenda devastação que promoveram no Império Asteca, construíram seus templos católicos sobre templos astecas localizados corretamente.

Mas voltando-se a questão do futuro de nosso Templo, uma vez retirados todos os assentamentos e realizados os rituais necessários visando a anulação das energias “negativas”, aí então o local poderá tomar uma outra finalidade que não a de um templo religioso. No caso específico de nosso Templo, tentaremos utilizar a construção como parte do futuro Templo, seja como vestiário ou qualquer outra finalidade religiosa. Por enquanto este assunto ainda não foi levado à reunião de Diretoria.

 

73) Quais as características do Marinheiro?

Esta Falange vibra em uma faixa intermediária entre a Falange dos Caboclos que trabalham com a ajuda das ondinas e sereias, e a dos Exus. Trazem características de Caboclos e Exus, simultaneamente. Normalmente não utilizam a fala do médium, emitindo somente mantras evocatórios da sua Força. Trabalham, principalmente, nos “descarregos” de pessoas e lugares, não tendo facilidade para a consulta.

 

74) E os Boiadeiros?

Esta Falange vibra em uma faixa intermediária entre a Falange dos Caboclos que trabalham com a ajuda dos duendes e outros elementais, e a dos Exus. Também trazem características de Caboclos e Exus, simultaneamente. Normalmente não utilizam a fala do médium, emitindo somente mantras evocatórios da sua Força. Trabalham, principalmente, em “descarregos” de pessoas e lugares, não tendo facilidade para a consulta.

 

75) E os Baianos?

Esta Falange vibra em uma faixa intermediária entre a Falange dos Caboclos que também trabalham com a ajuda dos duendes e outros elementais, mudando somente o tipo de magia daquela utilizada pelos booiadeiros, e a dos Exus. Também trazem características de Caboclos e Exus, simultaneamente. Normalmente não utilizam a fala do médium, emitindo somente mantras evocatórios da sua Força. Trabalham, principalmente, em “descarregos” de pessoas e lugares, não tendo facilidade para a consulta.

 

76) E dos Ciganos?

Esta Falange já traz características completamente distintas das anteriores. É uma Falange semelhante à Falange de Caboclos, Pretos-Velhos, Crianças ou Exus, no que tange ao processo mágico utilizado. Utilizam o aparelho fonador do médium e trabalham na “consulta”. É uma Falange “nova” dentro do ritual umbandista, composta por espíritos que, de um modo geral, tiveram a última encarnação como Ciganos.

 

77) O que distingue os espíritos que estão “ligados” ao ritual umbandista dos que não estão?

Absolutamente nada! Quanto mais evoluído for um espírito, maior a sua capacidade de adaptação em qualquer que seja o ritual praticado.

 

78) Quando você diz que “a história de Jesus é contada pela Igreja Católica de forma a reforçar os seus dogmas” e que “a verdade é bem outra”, qual seria esta verdade? (pergunta no 18)

Quando a Igreja Católica crucifica Jesus na Cruz, ela, na verdade, está repetindo a mesma simbologia de Osiris (o Grande Avatar e deus egípcio) esquartejado por seu irmão Seth, senhor da matéria. Jesus precisava morrer na Cruz e ressucitar para a vida eterna, de forma a podermos compreender que este há de ser o caminho a ser trilhado por todos.

Cito aqui uma bibliografia a ser consultada, para melhor compreensão da vida de Jesus. Nesta bibliografia, encontrar-se-á textos sobre a vida dos Essênios, seita judia na qual Jesus teve o berço e da qual faziam parte Maria e José. Se falará também do nascimento de Jesus e muito mais fatos bastante esclarecedores.

Obs: infelizmente ao verificar em minha biblioteca o nome, autor e editora dos livros, constatei estarem os mesmos emprestados. Mas, de qualquer forma, um deles tem como título “Jesus até os 30 anos” (caso minha memória não me traia), outro chama-se “Os Essênios” e o terceiro, encontrado na estante, é “Os Manuscritos do Mar Morto”, de E. M. Laperrousaz, da Editora Cultrix.

 

79) O que quer dizer “tranquilizar o eu exterior”? É relaxar?

Como já abordado em questões anteriores, dentro de nós convivem dois “eus”. Um é denominado de eu exterior ou inferior e é a própria personalidade do indivíduo. A personalidade, como a origem grega (persona) do próprio nome denota, significa máscara, ou seja, algo não verdadeiro e completamente diferente da sua própria essência.

Assim, a personalidade compreende todas as qualidades características nas quais estão todas as recordações de uma só vida física.

O eu exterior é algo construído na encarnação atual e nos será útil no desempenho de nosso “papel” no palco da vida. Está intimamente ligado às forças materiais e sua energia nos mantém conectados com a carne. Nos faz sentir seres únicos, com uma consciência própria e única. Adora todos os prazeres da vida e é extremamente individualista. Seria o próprio diabinho que habita dentro de nós.

Já o Eu interior ou superior é a própria conexão com a esfera dos deuses. É o ponto de ligação com Deus. É a presença do próprio Deus dentro de nós. É a centelha Divina que habita dentro de nós. Quando na imagem do Sagrado Coração de Jesus, a mesma aparece com um coração exposto e com uma chama a iluminá-lo, aí identificamos a simbologia deste eu superior, qual seja, a Chama Divina que habita em nosso coração. É o próprio Deus em nós. Este Eu é a própria Individualidade imortal que se reencarna e se reveste de uma personalidade após outra.

Voltando à pergunta inicial sobre tranquilizar o eu exterior, significa não se deixar levar pelos anseios da carne e manter-se mais “ligado” a Deus que habita em nós. É manter-se em conexão com o mundo Divino e não com o mundo da matéria. Para que uma das energias possa sobressair-se à outra, é necessário que uma perca a força para que a outra ganhe. Uma pessoa com um “eu” exterior bastante forte, significa alguém com dificuldades no relacionamento om as coisas divinas, ou seja, com o próprio Deus dentro de si. Aqueles que julgam, ser uma qualidade, ter uma personalidade forte e imutável, não passam de tolos. Os verdadeiros sábios, procuram não fortalecer a sua personalidade, aceitando-a como algo mutável a cada minuto.

 

80) O que são o Grande Cinto Eletrônico e a Cidade do Ouro? Isso é real?

Aqui cabe-nos esclarecer o conceito daquilo que entende-se por real. A realidade poderá ser entendida como algo relacionado com o mundo físico ou exatamente o oposto, de vez ser o mundo físico o mundo das ilusões e, conseqüentemente, o mundo real ser o mundo hiperfísico. Se adotarmos o primeiro conceito a resposta é não. Caso adotemos o segundo a resposta passará a ser sim!

O Grande Cinto (a tradução mais correta seria Cinturão e não Cinto) Eletrônico é formado por um campo de força atuante sobre o planeta, configurado pelas doze constelações zodiacais. De cada uma emana uma certa qualidade divina, despejando sua força sobre todos os seres viventes do planeta, inclusive sobre o próprio planeta.

A Cidade do Ouro é também conhecida por Shambala, situando-se no plano etérico e não no mundo físico, sobre o deserto de Gobi, no continente asiático. Nela está a sede da hierarquia espiritual do planeta Terra. O hierofante deste Templo é o Lorde Gautama, o Senhor do Mundo. Suas cores são o rosa, o azul e o dourado. Shambala, sede espiritual do planeta, juntamente com diversas outras cidades, também etéricas, formam o Grande Foco de Luz dirigido ao planeta para ajudar na ascensão de toda a raça humana.

 

81) O que quer dizer a citação, no Livro de Ouro de Saint Germain, “todos são um”?

Significa que todos nós, em verdade, somos um único ser, divididos em milhões e milhões de partes individuais separadas. No futuro, quando todos estivermos em um mesmo plano de evolução, retornaremos a Deus como uma única Grande Força. E, desta forma o próprio Deus terá também evoluído! Esta afirmação é proposital e espero induzi-los a pensar sobre este assunto.

 

82) A afirmação de que “nenhuma força benéfica vem do mundo astral” não contraria a afirmação de que as Entidades trabalham neste mesmo mundo?

De forma alguma. Quando esta citação é feita no Livro de Ouro de Saint Germain, está correta. As Entidades que trabalham dentro do ritual da Umbanda, não tem sua origem no mundo astral e, sim, no mundo mental, ou seja no plano de mesmo nome. Elas “trabalham” no plano astral e não “vem” dele. A essência destes seres é mental e não astral. A dificuldade no entendimento é oriunda do fato que, para incorporarem, é necessário que se revistam da energia do plano astral, sem o que não seria possível o processo de incorporação. Mas, voltamos a lembrar que a essência desta Entidades é formada por substância do plano mental.

Para que possam interferir no plano físico, é necessário que a matéria do plano físico seja manipulada. Este processo só se dá através da incorporação, que precisa da energia do plano astral. Por outro lado, lembremos que o plano imediatamente contíguo ao plano físico é o astral. Logo, as disputas e batalhas no plano físico terão sua origem e desfecho no plano astral, ainda mais por ser este plano o mundo de nossas emoções. No plano astral existe a matéria que se presta ao processo da magia, qual seja a força da emoção.

BENDITA E LOUVADA SEJA A UMBANDA! SARAVÁ TODAS AS SUAS FALANGES!

QUE POSSAMOS TER A SABEDORIA PARA COMPREENDÊ-LA

BENDITA SEJA A UMBANDA! SARAVÁ A TODOS!m qualidades humanas, como pode ser uma Força da Natureza.

Nesta segunda condição, se enquadra melhor à definição dada pela Umbanda. Não devemos interpretar que a Umbanda esteja certa e o Candomblé errado ou vice-versa. São coisas totalmente diferentes que possuem o mesmo nome! A Umbanda faz um grande culto ao processo mediúnico, enquanto que o Candomblé não. O verdadeiro Candomblé não aceita a incorporação, admitindo somente que se” dance” para o Orixá. Como o processo de incorporação só é possível através de seres que já tiveram uma forma física, todas as Entidades cultuadas pela Umbanda são tratadas, pelo Candomblé, como eguns, ou seja, pessoas que viveram e estão desencarnadas. O Candomblé não admite a incorporação de eguns. A Umbanda não aceita, de forma alguma, o sacrifício animal, pois que o sangue é um fluido de extrema força enquanto dentro de um corpo, passando a ser de uma força negativa poderosíssima, logo após ser vertido deste mesmo corpo.

Já no Candomblé, seu Axé, ou seja, a força do culto, está justamente no sangue vertido pelo animal. A Umbanda faz uso, em seu processo mágico, de velas, fitas, pedras, metais, resinas, essências e todas as dádivas da natureza como mel, leite, bebidas diversas, frutas, legumes, cereais, verduras e vegetais diversos. O ponto central do culto umbandista está na invocação de Caboclos, Pretos-Velhos, Exus, Pomba-Giras, Crianças, Boiadeiros, Marinheiros, Mineiros, Ciganos e tantas outras falanges menos cultuadas, porém de não menos importância. Já no Candomblé, o culto é prestado às forças da Natureza.

Na Umbanda, a figura do sacerdote é secundária, sendo o culto prestado às Entidades. Já no Candomblé, o sacerdote canaliza em si toda a força do Templo, devendo todos tratá-lo com o máximo respeito, respeito este, superior, até mesmo, aos Orixás. O sacerdote no Candomblé é a própria encarnação do Orixá que dirige aquela comunidade. Na Umbanda, isto é impossível de ocorrer, dentro da sua lógica. O Candomblé cuida do “santo”, enquanto que a Umbanda cultua o “santo”.

Pela filosofia do Candomblé, tudo é possível para manter o adepto em perfeita prosperidade, saúde e correspondência amorosa. Já pela filosofia Umbandista, o livre arbítrio, seja do adepto, seja de quem quer que seja, deverá sempre ser respeitado. E outras tantas existem, mas o apresentado já é suficiente para se perceber que são duas religiões completamente distintas, trazendo tão somente o nome, na lingua Yorubá, de uma parte da sua liturgia. Infelizmente, o que vemos, na maioria dos “terreiros”, são “umbandomblés” que misturam rituais Umbandistas com Candomblecistas, degenerando ambas as Religiões.

5 - Existe a Umbanda Branca e a Umbanda Negra?

Não! Isto é um grande absurdo! Existe somente uma única Umbanda, que não é branca nem preta, é simplesmente Umbanda. O ser humano, com sua mente bipolar, voltada para o bem e o mal, não consegue conceber uma religião que cultue somente as Forças ditas do bem. Necessita inventar algo que se contraponha ao bem e, assim, da Umbanda “branca” surge a “umbanda negra”. Os “feiticeiros” que, não possuindo uma ética, dirigem certas forças para fins duvidosos e nem sempre condizentes com a boa prática religiosa e mágica. Para alguns autores, a “umbanda negra” vem a ser a Quimbanda. Isto é um outro absurdo! Quimbanda é uma religião que se assemelha, em muito, às práticas xamânicas, voltada principalmente para o trabalho de cura. Alguns feiticeiros, de posse destas práticas, dirigiam seus rituais com fins não éticos, degenerando todo o ritual e fazendo surgir uma nova prática, por eles denominada de “umbanda negra”.

6 - O que significa o símbolo na roupa dos médiuns?

É o símbolo do Caboclo do Sol e da Lua, Entidade dirigente do Templo.

7 - O que representam os dois dragões na entrada do Templo?

São os guardiães do Templo. São representados por seres de aparência maléfica, com a finalidade de afastar todos aqueles, encarnados ou desencarnados, que para o Templo queiram se dirigir, com intenção não condizente com o tipo de ritual que ali se pratica. No plano astral existem seres que, da mesma forma, por sua aparência repugnante, trabalham como cães de guarda dos Templos, não permitindo a entrada de seres que queiram tirar proveito, ou mesmo brincar, com as Forças ali invocadas.

8 - O que representa a Cruz do Cruzeiro?

O Cruzeiro, consagrado aos Pretos-Velhos, representa a ascensão do ser humano aos planos mais sutis da manifestação. O Cruzeiro possui 7 degraus, que simbolizam a sutilização de cada um dos 7 corpos do homem, desde o físico até o nirvânico, ou estado de felicidade pura, ainda inacessível ao ser humano comum.

Uma vez galgado todos estes degraus, chega-se até a Cruz, símbolo da redenção da matéria, da libertação de todo o karma e dharma do Eu superior. Na magia, o Cruzeiro é o local de manifestação das almas desencarnadas, manifestação do plano astral mais próximo do plano físico, aonde os Pretos-Velhos realizam o seu “trabalho”.

9 - O que representa a “casinha” com velas que não se pode ficar em frente?

Representa o local para onde todas as forças são dirigidas. É para ali que são destinadas todas as forças telúricas, ou seja, forças do nosso plano de manifestação, o plano físico. O “lixo” de toda a limpeza é ali depositado, pois temos que ter responsabilidade com o meio que nos cerca, não permitindo que estas energias fiquem “soltas” no espaço. Além do mais, qualquer trabalho de natureza mediúnica, requer um fortalecimento na ligação do médium com o planeta Terra, de vez que, a prática da mediunidade, elevando o nível de consciência do médium, facilita seu desligamento, mesmo que temporário, do plano físico. Assim, as velas são elemento de firmeza da energia do médium com o plano físico. É a tão falada “segurança” do médium. Daí pedir-se que não se mantenha na frente desta “casinha”, podendo receber as forças de descarrego dos trabalhos, o que seria prejudicial aos consulentes, além de bloquear as forças que de lá são emitidas.

10 - Quais os nomes das principais entidades? Do que elas se ocupam? Como exemplo é citada Nanã que encaminha as pessoas que morreram.

Pelo exemplo citado percebe-se que não se está falando de Entidades e sim de Orixás, pois que a Força de Nanã não é uma Entidade e sim um Orixá. Uma Entidade já encarnou e já possuiu, um dia, um corpo físico. Um Orixá jamais encarnou. É Força Magnética pura, podendo ser manipulada por qualquer Bruxo.

Da mesma forma que podemos manipular a energia elétrica ao nosso bel prazer, desde que com conhecimento técnico, podemos também manipular a Força dos Orixás, desde que com conhecimento para tal. É importante o conhecimento, pois que o trabalho com certas Forças pode ser danoso para aquele que dele se encarrega. Por exemplo, citamos um soldado que irá manipular uma granada. Caso ele conheça perfeitamente o seu funcionamento e o alto risco daí decorrente, respeitará o artefato, ciente do grande poder que tem nas mãos. Caso seja um inconsequente, que não tenha conhecimentos técnicos e, portanto, não respeite o artefato que possui nas mãos, poderá levar a sérios acidentes, pondo em risco muitas vidas.

Mas, voltando aos Orixás, são Emanações de Deus, com sua energia própria, com uma determinada qualidade. Deus engloba em si todas as qualidades que conhecemos. Porém a mente humana, bastante embotada e pequena, não consegue entender Deus em toda a Sua Totalidade. Somente através da repartição, podemos entendê-Lo. Daí captarmos a Força dos Órixás, divididas como nos chegam, até a nossa mente.

Uma vez entendido isto, podemos então enumerar os Orixás com suas qualidades próprias, de modo resumido:

Oxalá Amor, Paz e Harmonia
Omulu Transformação de todos os processos
Yemanjá Fecundação. Plano emocional
Nanã Transcendência entre os diversos planos de manifestação
Ossayin Cultura e conhecimento
Oxoce Psiquismo
Ogum Criação. Início de qualquer processo
Oxum Poder da mente
Yansã Decisões corretas. Coragem
Xangô Justiça Divina

11 - Por que há pessoas que trabalham anos e não incorporam; outras que apenas incorporam algumas Entidades e outras que incorporam todas? Estaria relacionado a algum tipo de karma?

Tudo na vida está relacionado com o karma de cada um. Karma é a própria Lei de Ação e Reação. É a lei física que diz que “a toda ação corresponde uma reação contrária e em sentido oposto”. Qualquer ato do ser humano gera um karma. Qualquer movimento gera um karma. Logo, o tipo de mediunidade de cada um, é um problema do karma de cada um.

A mediunidade é um problema kármico. Somente alguns pouquíssimos seres humanos como Jesus, Sidarta Gautama, Krishina e outros, possuíram uma mediunidade missionária. Nós, seres humanos cheios de defeitos e problemas, possuímos uma mediunidade kármica.

A origem da mediunidade está na Atlântida, quando os seres humanos daquela época, mantinham ligações diretas com a Divindade, não necessitando de medianeiros. Pelo mal uso desta qualidade, fechou-se um certo centro energético do corpo, denominado de chákra frontal, abrindo-se, consequentemente, o plexo solar. Daí surge a nossa humanidade atual, com sérios problemas no trato com as suas emoções e perda da comunicação direta com a Divindade.

A comunicação com a Divindade, não podendo ser feita de modo direto como antes, passou a ser realizada de modo indireto, através de um medianeiro ou médium, que através de uma mudança de seu nível de consciência, consegue alcançar outros planos de manifestação. Assim, o tipo de mediunidade irá depender da necessidade kármica de cada um. Não há nenhum paralelo entre a incorporação e o avanço espiritual de cada ser humano. Cada um busca aquilo a que melhor se adapta, na busca de sua elevação espiritual. Sem sombras de dúvidas, o caminho da espiritualidade, através da prática mediúnica, é talvez o mais rápido, porém é  extremamente perigoso e cheio de armadilhas, levando ao desespero e à loucura aqueles que não estejam preparados para a sua prática.

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