Yansã

Conhecida também como Oiá, Yansã é a Senhora dos Ventos e Tempestades. Sua energia está fortemente relacionada com as intempéries, com os ventos e ainda com os raios. Num plano mais específico, Yansã rege o aparelho respiratório e o sistema glandular humanos. Isso demonstra a forte ligação deste Orixá com o elemento ar e o elemento fogo, respectivamente. Sua atuação no elemento fogo determina sua atuação sobre a energia fundamental que compõe a bioenergética humana e que o hinduísmo chama kundalini. Esse fluxo está localizado na base da coluna, sede do primeiro chakra. Ensinam os Vedas, livros sagrados da ciência do Yoga, que na kundalini reside tal serpente recolhida no primeiro chakra. O caminho espiritual de qualquer sacerdote estaria profundamente relacionado com a subida desta força do primeiro até o sétimo chakra passando por todos os outros e abrindo, para o praticante, as portas de todos os mistérios da iniciação e da iluminação. Nossa Umbanda entende essa mesma energia chamada kundalini com o nome de Yansã.

Sua relação com os outros Orixás é marcante e podemos citar alguns exemplos. Em sua relação com Ogum, ela tem nove filhos que simbolizam sua atuação nos nove planos de manifestação e explicam seu nome Yansã (Iá Messan Orun, ou seja, a Mãe dos Nove espaços do Orum). Sua relação mitológica com Ogum termina com uma briga violenta na qual ele é divido em sete partes e ela em nove quando suas armas se tocam simultaneamente. Ambos os casos são alusões simbólicas ao domínio de Yansã sobre os nove planos e de Ogum sobre as sete formas, simbolizadas pelas suas sete ferramentas. Essa briga ocorre quando, conforme narram alguns mitos, Yansã abandona Ogum para viver com Xangô.

A relação desses dois Orixás é bastante forte uma vez que Yansã representa os raios que sempre são acompanhados dos trovões, manifestações da força de Xangô. Yansã é considerada a única esposa que acompanha Xangô em todas as suas batalhas e inclusive em sua “morte” quando ambos se tornam Orixás. Aqui podemos realizar um comentário pertinente quanto à possibilidade de muitas figuras de Orixás terem recebido influência em seus mitos de figuras humanas reais.

Xangô, por exemplo, é sabido ter sido o nome de um rei africano. Sua louvação após a morte levou seus súditos à realizarem seu culto de forma divinizada levando à mistura de suas qualidades com qualidades dos seus deuses. Assim também ocorre nas tradições católicas e orientais quando um ser humano através da nobreza de seus atos recebe culto ou se confunde com alguma divindade particular.

Em sua atuação junto à Omolu, Yansã recebe o controle sobre os mortos e recebe o nome de Yansã Igbalé.

A força de Oiá é tão rápida e revela tanto movimento que ela estabelece ligações com todos os Orixás. Alguns a consideram um Orixá “jovem” e através de sua relação com os outros Orixás ela aprende tudo que sabe. Com Ogum a luta, capacidade demonstrada pela utilização do alfanje, com Omolu o segredo dos mortos, com Xangô o poder do fogo, com Oxóssi a caça, e assim por diante.

Essa característica mitológica demonstra uma inclinação dos filhos de Yansã pelo aprendizado do que quer que seja. Eles demonstram grande facilidade e interesse nas mais diversas áreas do conhecimento. Diz Verger que “O arquétipo de Oiá-Yansã é o das mulheres audaciosas, poderosas e autoritárias. Mulheres que podem ser fiéis e de lealdade absoluta em certas circunstâncias, mas que, em outros momentos, quando contrariadas em seus projetos e empreendimentos, deixam-se levar a manifestações a mais extrema cólera. Mulheres, enfim, cujo temperamento sensual e voluptuoso pode levá-las a aventuras amorosas extraconjugais múltiplas e freqüentes, sem reserva nem decências, o que não as impede de continuarem muito ciumentas dos seus maridos, por elas mesmas enganados”1. Ao que Beniste complementa com “audaciosas, poderosas, astutas e ciumentas – dedicadas ao companheiro, não admitindo ser enganadas – fieis e leais, podendo mudar, caso sejam contrariadas em seus projetos – vistosas, bonitas, possessivas – atividade sexual – são do momento – sentem-se bem diante dos problemas – sabem viver na tempestade – irrequieta – energia e dinamismo.”2

Seus filhos apresentam o arquétipo da impaciência, ambição e boa memória. São hábeis, se expressam com facilidade, julgando-se superiores aos demais. São exuberantes, extrovertidos, engraçados, francos, firmes e honestos. São independentes e casadoiros, tendendo à infidelidade. São bastante ciumentos e sensuais. São rancorosos, ríspidos, exigentes e gostam dos jogos de azar. Não são organizados. Não gostam muito dos afazeres domésticos, mas são trabalhadores. São temperamentais em excesso e autoritários.

Também conhecida como Oyá, é uma das três esposas de Xangô; as outras são Oxum e Obá. Representa mais a amante do que a esposa, satisfazendo-se com diversões, folguedos e danças. Por sua instabilidade, alguns a colocam participando da natureza da Pombagira. É sincretizada com Santa Bárbara. Bela, até vaidosa, desperta o ciúme das outras mulheres, embora prefira viver isolada fora da cidade. Lá, no silêncio e em segredo, ela tudo observa e percebe.

Yansã é um Orixá feminino com energia masculina. É a dona das paixões violentas. Suas filhas falam sem pensar. Sabem usar da clareza, sendo, muitas vezes agressivas. Seus filhos têm sede de aprender, não parando muito tempo em um lugar. São dinâmicos. Não toleram a rotina. Como energia viva, pulsante e vibrante, é o desejo sexual. Seus filhos costumam ser viris, se apaixonam violentamente, têm desejos incontidos e sentimentos mais fortes que a razão. Primeiro agem e depois é que pensam.

É o Orixá que faz nossos corações baterem com força e cria em nossas mentes sentimentos mais profundos, abusados, ousados e desesperados. É a total falta do medo das conseqüências. É o ciúme doentio, a inveja suave (a inveja mais pesada é da Oxum).

Busca a justiça em favor das mulheres, conferindo liderança à suas filhas. Confere às suas filhas, multiplicidade de parceiros, mas não vivendo ao mesmo tempo, pois são fiéis no momento em que estão se relacionando. Não são pessoas fáceis de serem moldadas e não se curvam ante as exigências dos outros. Sentem raiva, mas não são dadas à mágoas. Perdoam com muita facilidade. Seus filhos mudam repentinamente de temperamento. São bastante vingativas quando sentem raiva. Às vezes, ferem por ingenuidade, pois não percebem que a sinceridade ao extremo pode ferir, sendo, muitas vezes mal educadas. Precisam de resultados imediatos em tudo o que fazem, pois são impacientes. São bastante sinceros, porém têm dificuldade em receber críticas sinceras. São tão independentes que acabam se tornando auto-suficientes. Gostam do trabalho em grupo. São prestativos, trabalhadores, organizados, capazes e francos, ao extremo. Captam a falsidade dos outros e não sabem fingir. Não duvidam de si mesmos. São metódicos, gostam de tudo no lugar.

Não costumam ter problemas psicológicos profundos pois colocam para fora aquilo que pensam. Chegam e saem de um lugar sem avisar, nem dar satisfação. Costumam falar alto. São rápidos em suas decisões, pensam rápido e organizam, com facilidade, tudo à sua volta. São extrovertidos, leais e alegres, mas quando estão aborrecidos, cospem fogo. Detestam se sentir presos e acuados. Não fazem amor por fazer. Detestam a vulgaridade.

[1] VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás. 6. ed. Salvador: Corrupio, 2002. p. 170. [2] BENISTE, José. Orun – Àiyé. 5. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006. p. 266. [3] BENISTE, José. Mitos Yorubás. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006. p. 104. [4] Idem. p.144.

Origem do nome – Teria origem em três expressões distintas:
a) Aborí Amésan – aquela que possui nove cabeças, referência ao delta do rio Níger e suas nove divisões;
b) Iyá mésan orun – mãe dos nove filhos, alusão ao mito em que tem nove filhos com Ogum, que seriam os nove espaços do Orun;
c) Iyá osan – mãe da tarde; expressão dita por Xangô para comparar a beleza de Yansã à beleza do crepúsculo africano.3

Mantra – Epa Heyi! “Chamemos por Heyi!” Heyi é um ajudante mitológico de Oiá que a acalma quando ela está encolerizada. Epa é uma interjeição exclamativa.4

Toque – Ilú

Qualidade – divina
Força Cósmica das decisões corretas no momento certo e que nos afasta de todos os nossos medos perante a vida. Resolve tudo, eliminando a nossa prostração e inércia perante a vida. A energia de Yansã é utilizada em todos os processos de disputas, problemas materiais, vitalidade das pessoas. Utilizada também em problemas sexuais e de poder. Usa-se no fortalecimento da energia de kundalini, a qual está relacionada com a nossa auto-estima, com o fortalecimento da disposição e da vontade.

Instrumento/Insígnia – Abano (ventarola), Alfange (espada curva), Chifres de Búfalo e Iruexim (cerdas de touro em cabo de madeira ou metal)

Sincretismo – Santa Bárbara (Catolicismo); Bastet ou Sekhemet (Egito Antigo)

Astro canalizador – Júpiter

Fase lunar – Cheia

Campo de ressonância – Bambuzal e águas revoltas

Cor – Coral e amarelo

Número – 4

Odu – Irosun

Flores – Rosa Coral, Gérbera coral, flamboião (com exceção do amarelo) e gerânio (com exceção do branco) e palma coral.

Essências – Benjoim

Imãs (comida) – Acarajé, Feijão fradinho, Pimenta vermelha, Tamarindo, Cereja e Farinha de arroz feita no dendê;

Libação (bebida) – Suco de tamarindo, suco de cereja e sumo de Espada de Yansã;

Metal – Estanho

Pedra – Zircônia ou coral

Datas comemorativas – 04 de dezembro

Dia da semana – Quarta-feira

Horário vibratório – 15h às 21h

Ervas – Pata-de-vaca (Abafè); Fedegoso (Àgbólà); Pinhão-roxo (Bòtúje Pupa); Bambu (Dankó); Trombeta (Èsó Feleje); Espada-de-Santa-Bárbara (Ewé Idà Oyá); Gerânio (Ewé Púpayo); Fruta-pão (Gbèrèfútú); Abacateiro (Igi Itobí); Pára-raio (Igí Mésàn); Flamboyant (Igi Ògun Bèrèkè); Casuarina (Igi Oyá); Cróton ou Brasileirinho; Tamarindo e Umbaúba.

Número de Folhas – 4 ou 16

Contact Us

We're not around right now. But you can send us an email and we'll get back to you, asap.

Not readable? Change text. captcha txt

Start typing and press Enter to search