Oxossi

Orixá africano da caça, Oxossi recebia enorme importância juntamente com sua função. Em nossa Umbanda, Oxossi é identificado como a manifestação da elevação de toda energia psíquica. Assim, é o Orixá do psiquismo. É através da força de Oxossi que nós podemos elevar nossos pensamentos aos planos superiores. O fluxo mental e toda energia do pensamento remetem à Oxossi. Passa a ser, então, o Caçador de Almas.

No exercício da mediunidade e na própria atividade ritual, seja qual for o papel desempenhado pelo fiel, é segundo a energia desse Orixá que nós podemos alcançar os planos superiores de manifestação e conexão com as Entidades e Orixás de nossa Umbanda.

Seu local de culto são as matas e podemos, por isso, perceber sua forte ligação com Ossayin. Os espíritos que habitam as florestas e mesmo os animais tem forte ligação com esse Orixá. Com seu ofá, seu arco e flecha, ele garante a caça e pode-se comparar sua atuação com a figura mitológica de Sagitário. Ambos são caçadores de uma única flecha. Sabem o que buscam e nunca erram o alvo. Energia bastante ativa, Oxossi é considerado um Orixá “novo” no sentido de ter um fluxo bastante acelerado e ser entendido como energia derivada de outros Orixás mais “antigos”.

Relaciona-se claramente com praticamente todos os Orixás, demonstrando sua vibração conectada ao ambiente social. O caçador, naqueles tempos, era figura muito importante uma vez que dele dependiam tanto o alimento da tribo quanto a expansão das fronteiras. Em sua função de caçador, recebe o nome de Odé, significando, literalmente, “caçador” em iorubá.

Carrega ainda o irukerê, instrumento de crina de cavalo, touro ou búfalo que demonstra realeza na função de espanta-moscas, instrumento só possuído pelos membros das cortes africanas. Simboliza também o poder de seu possuidor sobre os espíritos da floresta, qualidade de espíritos extremamente temidos pelas pessoas que vivem próximas à mata e que não tem qualquer influência nos filhos de Oxossi possuidores de seu Irukerê. Tem função similar ao Iruexim, instrumento do Orixá Yansã do qual falaremos adiante que demonstra o poder deste Orixá sobre os espíritos dos desencarnados. Dizem dos filhos deste Orixá que estes são capazes de se comunicarem com os animais e segundo Verger são “pessoas espertas, rápidas, sempre alerta e em movimento. São pessoas cheias de iniciativas e sempre em vias de novas descobertas ou de novas atividades. Têm o senso de responsabilidade e dos cuidados para com a família.

São generosas, hospitaleiras e amigas da ordem, mas gostam muito mudar de residência e de achar novos meios de existência em detrimento, algumas vezes, de uma vida doméstica harmoniosa e calma”1

Já Beniste os considera “espertos, ágeis, esbeltos – têm senso de responsabilidade – apaixonados, românticos, carinhosos, volúveis, narcisistas – são festeiros – amáveis, educados e muito estimados – podem chegar a ser falsos e traiçoeiros – qualidades artísticas, criatividade, iniciativa, curiosos – agressivos e francos a ponto de serem grosseiros – não guardam segredos”2. No corpo humano, Oxossi compartilha com Ossayin o domínio sobre os membros do corpo (braços e pernas) e também sobre o inconsciente.

ÒGÚN e ÒSÓSÌ estão estreitamente ligados à vegetação e à floresta e são considerados os Orixás caçadores. Divindade da caça e merecedora de uma reverência especial quando seu nome é citado. Oxoce compartilha de muitas características de Ogum. São irmãos na linguagem de terreiro, porém, se diferencia de Ogum, porque está ligado à terra virgem e não à árvore. Pierre Verger interpreta seu nome como Oxo Wusi (o guardião noturno é popular). Segundo um mito, este foi o grito dado pela multidão quando ele conseguiu matar um pássaro mandado pelas Yamis para perturbar a festa dos inhames dada pelo rei de Ifé. Já pela interpretação de outros, Odé era um moço muito acanhado, Oxo Osi (aquele que olha de banda), ele se sentia feio e se escondia atrás de uma mulher; só ela aparecia.

Da mesma forma que as nervuras das palmas representam ancestres ou espíritos das árvores e da terra, os pelos do rabo, da parte posterior, do poente, do passado, representam os ancestres, os espíritos de animais e todo o tipo de espíritos da floresta.

Traz também o Oge, par de chifres de touro selvagem. É interessante sua estrutura em forma de cone e sua relação com abundância e elemento procriado. Esta relação com ascendência e descendência faz com que o seu som seja de uma força inigualável, sendo um poderoso meio de comunicação entre o Orum e o Ayiê. O som obtido é denominado Olugbohun, que significa o senhor ouve a minha voz. A saudação Okê Arô é referência a um local primordial que os descendentes de Oduduwa ocuparam antes de fundar a cidade de Ketu.

Orixá da caça, é ligeiro e astúcio, sábio com um jeito ardiloso de conquistar a caça. Traz as boas vibrações para uma casa. Oxossi está ligado às artes.

Seu arquétipo combina as qualidades de Ogum com as de Omolu quanto aos melhores aspectos de ambos. É um pensador taciturno, amigo dos estudiosos e esforçados, daqueles que amam as pesquisas e as inovações úteis. Protetor da flora e da fauna, favorece os caçadores, mas é contrário à ação destrutiva: admite que se mate um leopardo em caso de defesa de um risco real, quando o há, mas não por sua pele ou para conquistar a glória de caçador. É o Chefe do Povo das matas. É curioso e observador. Seus filhos são muito alegres. São abundantes mas têm dificuldades em manter esta abundância sob controle. Seus filhos são tidos como “os queridinhos do terreiro”.

Pelo seu convívio com Ossaiyn exercem o poder sobre a medicina. São extremamente sociáveis, lidam bem com a administração e a política. São sagazes como o leopardo, fortes como o leão, observadores como a coruja e vaidosos como o pavão. Conhecem os animais profundamente e possuem as características de cada um deles. Só tomam atitudes depois de muito observar e aí sim, são sagazes e astutos.

São verdadeiros lordes e príncipes, sempre elegantes e nunca agressivos. Têm dificuldade em se manterem em lugares fechados, em assumir compromissos e responsabilidades. Têm dificuldades com a rotina. Precisam se envolver com a arte para expressarem sua criatividade. Fazem o que querem na hora que querem. Caso não haja um interesse pessoal em fazer algo, não fazem, deixando de lado, um pouco, o coletivo.

Estão sempre em busca de algo. Quando têm a certeza de que o parceiro está entregue, partem para outros objetivos. Fazem muita por interesse próprio. Cuidam muito bem das suas coisas, pois são individualistas, mas não são egoístas. São bastante zelosos com suas coisas. Dizem: “te empresto, mas cuida direito”.

São poéticos, sabem hipnotizar a caça para conquistar. São certeiros, pois pesquisam a caça antes de hipnotizá-la. Possuem um grande orgulho próprio. Por si só se bastam.

É sincretizado no Sul e Sudeste com São Sebastião e, no Nordeste, com São Jorge. É considerado protetor contra doenças epidêmicas, violências e fome. É benevolente, mas não perdoa: os que erram serão punidos, mesmo que com atraso. Seu dia é a quinta-feira.

[1] VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás. 6. ed. Salvador: Corrupio, 2002. p. 114. [2] BENISTE, José. Orun – Àiyé. 5. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006. p. 264. [3]VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás. 6. ed. Salvador: Corrupio, 2002. p. 112.

Origem do nome – Osowussi (Aquele que se revela com elegância.) ou Osówusi (“o guarda-noturno é popular”3)

Mantra – Okê Oxóssi! (Salve Oxóssi!), Okê Arô! ou Okê Arolê!

Toque – Aguerê, Jinká

Qualidade divina – Oxóssi é o Orixá do psiquismo. Psiquismo, do ponto de vista esotérico, significa a junção dos nossos sete corpos, que ocorre quando alcançamos a plenitude espiritual. A energia de Oxóssi é utilizada para pessoas com problemas psíquicos, tanto para ataque como para defesa. Utilizada também para reforço da Fé e da Vontade e para o reestabelecimento do esquilíbrio do corpo físico.

Instrumento/Insígnia – Ofá (arco e seta), Irukerê (ferramenta de crina de boi ou burro em cabo de madeira ou metal, símbolo da realeza em terras Nagô)

Sincretismo – São Sebastião (no Rio de Janeiro), São Jorge (na Bahia); Shu (Egito Antigo)

Astro canalizador – Mercúrio

Fase lunar – Crescente

Campo de ressonância – Florestas

Cor – Verde, vermelho e branco

Número – 6

Odu – Obará

Flores – Antúrio vermelho, Verbena, Hibisco vermelho e Palma vermelha

Essência – Sândalo

Imãs (comida) – Espiga de Milho, Côco Verde, Amendoim, Mel, Mingau de canjiquinha e frutas em geral

Libação (bebida) – Suco de Abacaxi ou Água de Coco.

Metal – Cobre

Pedra – Quartzo Verde, Esmeralda e Jaspe Verde

Datas comemorativas – 20 de janeiro

Dia da semana – Quinta-feira

Horário vibratório – 6h às 12h

Ervas – Eucalipto macho; Milho (Àgbàdó); Coqueiro ( Àgbon); Murici (Akeri); São Gonçalinho (Alékèsì); Visgueiro (Andará); Pinhão Branco (Bòtujè Funfun); Rama-de-leite ou Cipó-de-leite (Ewé Ogbó); Malva-rosa (ÌlasaOmodé); Carqueja (Kànérì); Jurubeba (Kisikisi); Capim-limão (Koríko Oba); Araçá; Cipó-Caboclo; Espinheira-Santa; Juremeira; Calancoê (Tapete-de-Oxoce); Cebolinha; Salsa; Crótom; Samambaia-de-caboclo; Erva-de-Passarinho (Àfòmón)

Número de Folhas – 6 ou 16

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