Corpo Mediúnico

O Templo do Vale do Sol e da Lua tem como dirigente o Babalorixá Luiz Antonio Martins e o corpo mediúnico é constituído por 150 médiuns. Entre eles temos:

Médiuns Coroados

São aqueles que passaram por todos os rituais de Iniciação de nosso Templo, tornando-se um Iaô, um conhecedor do segredo. Seus Orixás de cabeça já foram plenamente estabelecidos e seu Guia-Mentor foi identificado. O Guia-Mentor é a Entidade maior que acompanha um médium, foi aquele que assumiu o compromisso de zelar por aquele filho e por sua caminhada espiritual. Todas as Entidades que trabalham através de um médium, por exemplo, seguem as orientações do Guia-Mentor. Sua relação com o médium deve ser a mais estrita possível e a entrega desse médium em suas mãos seria o clímax do desenvolvimento mediúnico. A partir desse momento, o médium teria alcançado a maturidade e deveria caminhar com mais força em suas próprias pernas. Até a Coroação, o Guia-Mentor de todos os membros da corrente mediúnica será o Caboclo do Sol e da Lua, ser ao qual o Guia de cada um entregou o preparo inicial do médium que será “devolvido” somente quando do ritual de Coroação.

Lembramos que o médium coroado não alcançou ainda o estágio de Babalorixá ou Ialorixá. Muitos não caminharão no sentido da independência, continuando ligados à nossa Casa e ao nosso Babalorixá. Aquele que desejar ter seus próprios filhos deverá passar por outros rituais. É importante entender que a Coroação não santifica o médium ou o torna plenamente realizado. Ela seria o primeiro passo na caminhada espiritual legítima de um buscador sincero. Todos os anos que o filho se prepara em direção à Coroação serão os anos iniciais em sua vida espiritual, mesmo que a mesma já venha sendo vivida em inúmeras vidas passadas. O médium coroado é como o adolescente. Não deve pensar que possui um grau de sabedoria superior aos outros como o jovem que se considera líder em meio a crianças. Ainda deverá trilhar outros caminhos para se aprofundar em sua caminhada.

O ritual de Coroação, também chamado por nós de Deitada de Sete Anos, uma vez que seu tempo médio de realização será sete anos após a entrada do médium na corrente mediúnica, é a consagração do médium que chega à maturidade. Ritual regido pelo Orixá Oxum, demonstra esse caráter conforme já foi dito, comparável à chegada da criança a adolescência  partir do nascimento metafórico de seus Orixás de cabeça. Será seguido de outros rituais, outras Deitadas e Reimantações que continuarão o preparo do médium. Sete anos após a Coroação, o médium Iyaô passará por outro ritual ainda mais profundo a partir do qual será considerado um Ebomi, estando pronto para ter sua própria Casa e seus próprios filhos. Esse ritual seria regido pelo Orixá Yansã, símbolo da maturidade e entrada na vida adulta. Em contraste com o caráter maternal de Oxum, Yansã representa aquela energia que nos lança ao mundo em busca de novas conquistas munidos de nossa coragem e nossos conhecimentos adquiridos com o tempo. Seria a maioridade legal alcançada pelo médium que agora chega à vida espiritual adulta.

Mediuns Feitos

Feitos são os médiuns que já passaram por todas as etapas ritualísticas preparatórias à Coroação. Terão essa condição aqueles que participaram da chamada Deitada para Pai e Mãe, também chamado Borí de Pai e Mãe, ritual no qual serão firmados os Orixás que regem a citual seria regido pelo Orixá Irtidamente, seus filhos.cizados, ou seja, carregados de muita emoç forma a se europeizar o cultooroa do filho, preparando-o no sentido do nascimento dos Orixás. Dentro da analogia proposta no capítulo dos Orixás, a deitada em questão seria o primeiro exame realizado pelo médico no qual o bebê se manifestaria. Aqui, verificam-se as qualidades e as condições em que se encontra aquele ser como em um ultra-som. Antes de deitar para Pai e Mãe, o médium já terá realizado o ritual de Deitada para Exu, no qual será feita a preparação do Exu Guardião (Bara) do médium, aquela energia que nos protege os corpos durante nossa vida encarnados. Antes ainda o médium será batizado, ritual simbólico de aceitação da Egrégora da Casa perante o filho que se apresenta.

Assim, o médium feito já foi batizado, já tem seu Exu Guardião (Bara) devidamente assentado e já realizou o ritual de Imantação dos Orixás de sua coroa. Seu processo de Iniciação será finalizado com a futura coroação devendo, até essa realização, ficar o médium aberto a todos os ensinamentos que ainda deverá reter para se tornar um Iaô. Deve livrar seu coração de qualquer sinal de prepotência ou vaidade, grandes inimigos de qualquer um que caminhe na nossa Umbanda. Tendo chegado tão longe no seu processo em nossa Casa, não deve agora ceder perante os desafios apresentados. Deve vencer todos os obstáculos enfrentados, eliminar as dúvidas e preparar as condições e a maturidade necessárias à Coroação.

Médiuns Prontos

Pronto será todo médium da corrente que concluiu seu processo de educação mediúnica. A partir desse momento, ele poderá servir como instrumento aos trabalhos de forma mais harmônica e de acordo com as determinações do Babalorixá. Nem todo médium terá papel de trabalhar incorporado, podendo o médium pronto atuar em qualquer trabalho para o qual for designado. Um médium cambono pronto certamente viabilizará o trabalho da Entidade de uma forma mais perfeita que aquele que ainda está, como dizemos, em desenvolvimento.

Não temos um ritual específico que determina que o médium está pronto, ficando esta determinação a cargo do Babá. Esse médium não necessariamente concluiu este ou aquele ritual e pode, em certos casos, ser declarado pronto já na entrada na corrente. Alguns possuem um passado de práticas espirituais que já determinam um desempenho mediúnico perfeito não necessitando de educação nesse sentido. Não se deve, no entanto, deixar que essa consideração afete a caminhada do médium em direção à Meta Final. Não podemos nos esquecer que a religião não é um substituto aos dramas sociais e não deve o médium buscar glória ou fama com seu trabalho. Aquele que se deixa levar por honrarias transitórias nunca alcançará a Realização Plena. Nenhuma coroa ou declaração do Babalorixá pode substituir o desejo sincero e a humildade que devem sempre habitar os corações dos umbandistas verdadeiros.

Médiuns em desenvolvimento

Estes médiuns são aqueles que estão em estágio de aprendizado em relação à manifestação de sua mediunidade. Não podem ser vistos ou tratados com desdém por quem quer que seja, uma vez que o processo de todos deve começar aqui. Ninguém nasce pronto e mesmo aquele que possui total controle e conhecimento de sua mediunidade deve saber nutrir a humildade que possibilita o verdadeiro aprendizado.

Nossa Casa prima por um desenvolvimento aprofundado dos médiuns da corrente. Assim, diferentemente de outras casas nas quais uma pessoa que apresente incorporação aparentemente perfeita poderia ser imediatamente designada para os trabalhos de consulta, nós buscamos, com paciência, o ensino correto dos primeiros passos de qualquer pessoa dentro da nossa Umbanda. Algumas crianças andam antes que outras mas é vital que o aprendizado não se transforme em corrida ou busca por mérito. Preferimos que uma criança demore mais a caminhar mas o faça de forma correta, possibilitando fazê-lo com firmeza por toda a sua vida. De que nos valeria apressar os passos de quem quer que seja, deixando de formar a base firme sobre a qual aquela pessoa caminhará por toda a vida? Muitos, em nome da pressa, acabam gerando médiuns que aparentemente caminham bem mas que poderão desenvolver problemas nas pernas futuramente por vícios de postura ou condições similares. Sabemos o quão complexo é caminhar. Não o fazemos somente com as pernas mas sim com todo o corpo físico. Caminhando é que o ser humano se distingue de todos os outros de nosso planeta mas não deve se enganar aquele que move corretamente suas pernas. Se a pessoa não souber coordenar as pernas, os braços e talvez o mais importante, a coluna, não poderá caminhar sem prejuízos futuros para seu corpo. Essa metáfora do aprendizado do caminhar nos serve para compreender o valor que damos à educação mediúnica.

Por isso não apressamos a educação de quem quer que seja e esperamos que o médium tenha total confiança na orientação do Babalorixá, como a criança que confia em seus pais, sem ilusão de independência ou prepotência, compreendendo a importância vital de um perfeito desenvolvimento e educação mediúnicos no futuro de toda a caminhada daquela pessoa.

Os Ogãs

São os responsáveis por interagir com os Atabaques durante os trabalhos. Sua atuação deve seguir a orientação da Entidade dirigente e ainda a hierarquia existente entre eles próprios. O trabalho de todos no ritual depende de sua atuação e para isso eles também passam por um longo processo de aprendizagem antes de assumirem a responsabilidade de lidar com esse vital elemento ritualístico. Muito acerca do papel do Ogã será esclarecido quando falarmos sobre a função dos Atabaques no ritual. Também o Ogã não deve permitir o surgimento em seu coração de qualquer sentimento de arrogância ou prepotência. Eles também trabalham, completamente entregues, com a finalidade comum de possibilitar ou facilitar toda manifestação mágica e mediúnica.

Sendo membros da corrente, os Ogãs também tem como objetivo final a plena realização de sua espiritualidade e não devem se perder no caminho em busca de glórias passageiras ou protagonismos incoerentes. Ninguém pode querer brilhar de forma destacada na nossa Umbanda. Nossos Ogãs ainda devem lidar com esses desafios de forma mais viva uma vez que os Atabaques, por mais que sua função seja vital e imprescindível, não devem assumir nenhum destaque no ritual. Não estamos assistindo a um concerto de percussão e a finalidade deles também é de medianeiros, possibilitando a manifestação, em nosso plano, de condições muito maiores que nossa compreensão limitada pode, por vezes, abarcar. Que os Ogãs possam sempre manter sua dignidade e sua perfeita compreensão da missão que possuem em todos os rituais em nossa Casa. Que sua luz viabilize os trabalhos e que não haja desarmonia em sua atuação, função tão importante para todos mas também um caminho seguro de desenvolvimento espiritual para aquele que não se deixa vencer pelos desafios do condicionamento e da vaidade humanos.

Os Cambonos

Cambono é o médium designado para auxiliar uma Entidade em qualquer trabalho. É um ponto de apoio material daquele ser que atua incorporado. O cambono tem função vital no  ritual umbandista e muitas Entidades se recusam a realizar qualquer tipo de trabalho sem a presença do cambono. Ele orienta os consulentes e viabiliza a consulta intermediando a Entidade quando ela necessitar. Algumas vezes a pessoa da assistência não está familiarizada com a forma de falar da Entidade ou mesmo com alguma determinação dessa que pode não ter ficado clara. Cabe ao cambono esclarecer qualquer dúvida tanto do consulente quanto da Entidade sem, no entanto, interferir nos trabalhos.

Nunca deverá, o cambono, assumir o papel de orientador ou conselheiro durante a consulta. Seria absurdo aquele que desempenha papel de ajuda e serviço numa gira tomar a frente da Entidade em relação a um consulente. Situação hilária mas muitas vezes testemunhada, estando a própria Entidade calada, possivelmente a entender com compaixão o impulso egóico do médium, enquanto o cambono se põe a tagarelar com o consulente. O papel do cambono é sutil. Deve compreender seu caráter imprescindível na realização de qualquer trabalho mas permanecer atuando nos bastidores, sem desejos de protagonizar qualquer feito e mantendo sempre a humildade acima de tudo.

Nunca se deve ver o cambono como pessoa de hierarquia inferior ou menos preparada que outras. Ele deve ter um preparo completo uma vez que permanece desincorporado durante os trabalhos. Recebem inúmeros ensinamentos das Entidades tanto em relação ao ritual quanto em relação à religião em sentido mais amplo. Ao cambonar, o médium assume uma das funções mais nobres em nossa Umbanda, doando-se para que tudo ocorra segundo a Vontade Divina. Já mencionamos que o trabalho desapegado (Karma Yoga) é um dos caminhos para a Realização Plena e que não pode nunca liderar aquele que não souber, antes, servir aos outros.

 

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